Professores assinam “Manifesto em Defesa da Educação Pública” e contra Serra

quinta-feira, 21 de outubro de 2010.
Mais de dois mil professores universitários e pesquisadores assinaram, até o início da noite passada, um manifesto publicado na internet contra o candidato do PSDB à Presidência, José Serra. O “Manifesto em Defesa da Educação Pública” afirma que os professores de universidades consideram “um retrocesso as propostas e os métodos políticos da candidatura Serra” e qualificam como preocupante o histórico de Serra como governante. “Seu histórico como governante preocupa todos que acreditam que os rumos do sistema educacional e a defesa de princípios democráticos são vitais ao futuro do país”.

"Quando Serra era governador, a
USP foi invadida por policiais armados
com metralhadoras e que atiraram
bombas de gás lacrimogêneo."

O documento lembra que em junho do ano passado, durante o Governo Serra em São Paulo, a USP foi invadida por policiais armados com metralhadoras e que atiraram bombas de gás lacrimogêneo. Diz também: “Em seu primeiro ato como governador, assinou decretos que revogavam a relativa autonomia financeira e administrativa das Universidades estaduais paulistas. Os salários dos professores da USP, Unicamp e Unesp vêm sendo sistematicamente achatados, mesmo com os recordes na arrecadação de impostos”, sustenta o manifesto.
Os signatários criticam não apenas a educação universitária paulista, mas também a gestão nos ensinos fundamental e médio, com reclamações sobre os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de São Paulo. E atacam o comportamento de Serra diante de reivindicações do magistério por melhores condições de trabalho. ”Serra costuma afirmar que não passam de manifestação de interesses corporativos e sindicais, de tró-ló-ló de grupos políticos que querem desestabilizá-lo”.
Embora grande parte das críticas se refira a problemas da educação paulista, os professores assinalam que, ao longo dos dois mandatos presidenciais de Fernando Henrique Cardoso, as universidades federais foram sucateadas, e faltou dinheiro até para pagar as contas de energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Os educadores condenam também a blindagem de governos tucanos, em âmbito federal e estadual, contra investigações de denúncias de corrupção. “No comando do governo federal, o PSDB inaugurou o cargo de engavetador geral da República. Em São Paulo, nos últimos anos, barrou mais de 70 pedidos de CPI’s, abafando casos notórios de corrupção que estão sendo julgados nos tribunais internacionais”.
O manifesto afirma, ainda, que a campanha liderada por Serra é responsável por uma onda de boatos religiosos. “Sua campanha promove uma deseducação política ao imitar práticas da extrema direita norte-americana em que uma orquestração de boatos dissemina a difamação, manipulando dogmas religiosos”, acusa o documento que ataca também o comportamento personalista de Serra comparando-o ao de Fernando Collor na campanha presidencial de 1989. “A celebração bonapartista de sua pessoa, em detrimento das forças políticas, só encontra paralelo na campanha de 1989, de Fernando Collor”.

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