O machismos e os outros motivos da derrota de Ana Júlia.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010.
Neste domingo o deputado estadual reeleito Valdir Ganzer, ex-secretário de transporte, concedeu entrevista ao Liberal, fazendo um balanço dos motivos da derrota de Ana Júlia. Ele alega quatro motivos: o machismo da sociedade, a péssima comunicação do governo, o não cumprimento de acordos e a disputa interna, aliada a decisão do governo de eleger para federal o ex-chefe da Casa Civil, Cláudio Puty.

 Fiquei muito contente de ver uma avaliação feita por liderança do Partido, o PT até agora não se comunicou com a sociedade, com os seu eleitores, está falhando, do mesmo jeito que o governo falhou em falar com a sociedade, sei que no PT, as avaliação são difíceis de ser consolidadas, mas não dá para ficar mudo.

Estou esperando que o debate se estabeleça nos fóruns partidários, tomei conhecimento, que a tendências Unidade na Luta e a AS já fizeram encontros para avaliar, mas quem não é de tendências?

Estou esperando um cronograma de debate estabelecido pela Direção Estadual do partido, conforme declaração feita à mim pelo presidente João Batista, quando fui a sede  solicitar que o debate começasse.

Quanto a avaliação de Ganzer, quero comentar sucintamente os quatro itens. 

Primeiro, em relação a não cumprir acordo. É melhor não fazer um acordo que não possa cumprir, por exemplo: alocar dois reais para cada um real de emenda dos deputados federais para o governo, foi impossível ser cumprido, pois no orçamento de 2007 (para o governo do estado), já estavam bem elevados, os recursos do governo federal e alocar duas vezes mais por parte do governo estadual, foi impossível. 

Assumir que iria realizar as obras do PTP para os 82 mil participantes, e realizar em torno de 25% das demandas, também  é acordo não cumprido. Aliás, o PTP sumiu da propaganda do governo, sofreu várias modificações, retirando-sa inclusive o poder de fiscalização dos Conselheiros. O PTP foi o maior acordo não cumprido, porque foi com a sociedade.

Segundo, a comunicação deficiente, o que aconteceu é que a comunicação passava pela mão de Paulo Heineck, que não estava no dia a dia do governo, e a comunicação se tornava lenta, deficiente e não regionalizada.

Sobre a eleição para deputado federal de Cláudio Puty, o núcleo duro da governadora, e ela  mesma, achavam que podiam tudo.... até colocar o coordenador politico como candidato. Neste ponto, o PT se posicionou contra, eu me posicionei contra, mas a tática partidária da DS prevaleceu, e os problemas políticos construídos a partir dai, esgarçando as relações com a base partidária e as relações internas no PT, pareciam não ter ressonância junto a governadora. Os resultados foram uma base partidária e eleitoral desunida, um deputado como o Zequinha Marinho magoado (só para citar um exemplo), sentindo-se preterido e, não fazendo campanha para a governadora. Lógico, para ele (Zequinha), ela sabia e permitiu, que a candidatura de Cláudio Puty adentra-se na base eleitoral da Assembléia de Deus, base de Zequinha.

Sobre o Machismo, não podemos considerar que o machismo não existe mais na sociedade paraense, acho que foi sim um elemento da derrota da governadora, eu mesmo presenciei, na campanha, eleitores (as) falando do comportamento e da vida pessoal da governadora, foi criada muitas inverdades, as falas do senador Mário Couto, usando de uma política partidária preconceituosa, reforçou estas idéias.

É verdade que a governadora já exerceu diversos cargos públicos (vereadora, vice-prefeita e etc), e sempre foi bem votada, por passar a imagem de mulher combativa, guerreira, defensora dos direitos humanos e honesta, esta imagem foi quebrada nesta eleição. Construiu-se uma imagem vacilante, de que não governou - deixando um núcleo duro governar por ela, indecisa, namoradeira e etc...

A imagem construída, foi de uma mulher que não sabe governar, e para isso trabalhou-se preconceitos relacionados a mulher. Claro que a governadora não conseguiu reverter esta imagem. Aliás, apercebeu-se dela muito tardiamente, blindada que estava pelo Núcleo duro, que foi afastando as pessoas e fazendo com que o acesso a governadora se tornasse cada vez mais restrito. É tão verdade que a sociedade ainda é preconceituosa em relação a mulher, que apesar do currículo de excelente  gestora da presidente eleita Dilma, a campanha de Serra (PSDB), tentou trabalhar a idéia de uma candidata sem opinião, de uma mulher manipulada por um homem, no caso o Lula, de uma mulher sem pulso firme, que não iria dar conta, ou seja, trabalhar com preconceito de que a mulher é o sexo frágil, e não pode ter cargos de comando.

Todos estes pontos devem ser debatidos no PT, e outros que aparecerem, a sociedade, os militantes petistas e seus eleitores esperam ansiosamente por uma avaliação do partido.

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