Ataque suicida mata 35 no maior aeroporto de Moscou

terça-feira, 25 de janeiro de 2011.
Um homem-bomba matou na segunda-feira ao menos 35 pessoas no maior aeroporto da capital russa, o Domodedovo, um ataque com a marca dos militantes que lutam por um Estado islâmico no Cáucaso do Norte.
O presidente do país, Dmitry Medvedev, prometeu encontrar e punir os responsáveis pelo ataque, que também deixou 130 feridos durante um horário de grande movimento na tarde de segunda-feira.
"A explosão foi bem perto de mim, não fui atingida, mas senti a onda de choque -- as pessoas estavam caindo", disse Yekaterina Alexandrova, uma tradutora que aguardava um cliente procedente do exterior em meio à multidão no saguão de desembarque.
"A fumaça começou a levantar, havia muita fumaça", ela disse por telefone. "Muitos feridos foram para fora sozinhos em estado de choque. Então começaram a dar informações sobre por onde sair."
O Kremlin, sede do governo russo, disse que Medvedev, que chamou a insurgência no Cáucaso do Norte como a maior ameaça à segurança da Rússia, adiou sua viagem ao fórum econômico de Davos, na Suíça.
Os rebeldes se comprometeram a levar a campanha de bombardeios para a área central da Rússia, atingindo os transportes e alvos econômicos.
"A segurança será reforçada nos grandes terminais de transportes", Medvedev escreveu no Twitter. "Nós lamentamos as vítimas do ataque terrorista no aeroporto de Domodedovo. Os organizadores serão encontrados e punidos."
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, condenou o ataque. "Condeno veementemente este ato ultrajante de terrorismo contra o povo russo", afirmou em comunicado lido pelo porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs.
Gibbs também disse que os Estados Unidos estão prontos para dar qualquer tipo de assistência que Moscou precise em relação ao ataque contra o aeroporto.
A bolsa de valores russa Micex caiu quase 2 por cento após a explosão.

ESPALHANDO INSURREIÇÃO

Usuários do Twitter postaram vídeos feitos em telefones celulares mostrando dezenas de pessoas deitadas no chão, tomadas por um espessa fumaça no saguão de desembarque, e uma parede pegando fogo.
Funcionários aeroportuários foram vistos usando lanternas especiais para iluminar o caminho nas imagens gravadas imediatamente depois da explosão. Outro vídeo mostrou agentes da emergência levando os feridos em macas para fora do terminal.
O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, que divide o poder com o menos influente Medvedev, apostou em sua reputação política para sufocar a rebelião no Cáucaso do Norte.
Ele lançou uma guerra no fim de 1999 na Chechênia a fim de derrubar o governo separatista. A campanha militar alcançou seu objetivo imediatamente e o ajudou a chegar à Presidência do país meses depois.
Mas desde então, a insurgência tem se espalhado para o Daguestão e a Ingushétia, divisões federais da Rússia.
"A explosão a bomba no Domodedovo irá reforçar ainda mais a visão da elite russa de que Putin está perdendo o controle sobre a segurança na capital", afirmou o presidente do instituto de pesquisa norte-americano Fundação Jamestown.
Analistas dizem que rebeldes planejam intensificar a violência até as eleições presidenciais de 2012, que poderá trazer Putin de volta à Presidência.
A segurança foi fortalecida nos outros dois aeroportos de Moscou --Sheremetyevo e Vnukovo--, que também receberão passageiros de voos que desviaram da rota original para Domodedovo, informou a mídia.
Moscou sofreu seu pior ataque em seis anos em março de 2010, quando duas mulheres-bomba da instável região russa do Daguestão se explodiram no metrô, matando 40 pessoas.

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