Assange comparece a tribunal que deve decidir sobre sua extradição

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011.
O fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, compareceu nesta segunda-feira ao tribunal britânico que deve decidir sobre sua extradição à Suécia, país que deseja a transferência para interrogá-lo por supostos crimes de caráter sexual.
O australiano, de 39 anos, chegou às 9H15 locais (7h15 de Brasília) ao tribunal na zona sudeste de Londres, onde a audiência começou uma hora depois. Ele foi autorizado excepcionalmente pelo juiz a dormir na capital britânica durante os dois dias de audiência.
Assange nega as acusações e considera que o caso está politicamente motivado, em consequência da divulgação pelo WikiLeaks e muitos jornais de centenas de telegramas confidenciais da diplomacia americana, além de documentos secretos sobre as guerras do Iraque e Afeganistão.
Os advogados de defesa, que pretendem lutar até o último recurso contra a extradição, anunciaram que alegarão ao juiz que a demanda não se justifica porque Assange não foi acusado formalmente a respeito das agressões denunciadas por duas mulheres suecas em agosto de 2010.
Ao começar a apresentação de seus argumentos, o defensor Geoffrey Robertson denunciou, além disso, que se Assange for extraditado "será julgado a portas fechadas, em uma flagrante indeferimento da justiça", como ocorre habitualmente na Suécia nos julgamentos por agressão sexual.
Um relatório policial confidencial vazado na semana passada na internet revelou, entre outras coisas, um documento no qual uma das queixosas dá detalhes de como Assange iniciou uma relação sexual sem proteção com ela quando estava adormecida e como, depois de uma breve discussão, permitiu que ele continuasse.
"A corte não pode aceitar que a acusação de estupro está corretamente identificada (...) porque o que é estupro sob a lei sueca não é estupro em nenhum outro país", alegou Robertson.
A defesa do fundador do WikiLeaks também alegará que se a justiça britânica aceitar o pedido sueco "existe um risco real" de que o governo dos Estados Unidos busque a "extradição ou entrega ilegal" do australiano e de que, neste caso, termine em Guantánamo ou corra o risco de ser condenado à pena de morte.
A justiça americana iniciou uma investigação contra Assange, mas até o momento não apresentou nenhuma acusação.
Assange, que foi preso na Grã-Bretanha em 7 de dezembro passado em cumprimento de uma euro-ordem emitida pela Suécia, se encontra desde 16 do mesmo mês em liberdade condicional sob fiança 386.000 dólares.
Desde então, vive praticamente recluso em Ellingham Hall, uma mansão de propriedade de seu amigo Vaughan Smith situada no campo a uns 200 km a leste de Londres, onde, apesar de ter de cumprir com condições estritas como usar bracelete eletrônico e se apresentar diariamente numa delegacia, consegue continuar trabalhando à frente do WikiLeaks.
A decisão do juiz - prevista para meados do mês - sobre a extradição de Assange - será importante, mas não decisiva, pois o australiano dispõe de inúmeras possibilidades de apelação, o que poderá fazer o processo durar vários meses.

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