Desastre no Real Class tem responsável

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011.
Na tarde do último sábado a população de Belém foi surpreendida pelo 
desabamento de um prédio de 34 andares, ainda em construção, no centro de 
Belém, após a tradicional chuva da tarde. Como era sábado poucos trabalhadores 
faziam hora extra na obra. No momento do desabamento poucos trabalhadores 
estavam no local. Tanto que o Corpo de Bombeiros, a empresa e o Sindicato dos 
Trabalhadores da Construção Civil afirmam que há 3 operários sob os escombros. 
A maioria já havia encerrado o expediente. Uma senhora aposentada que morava ao 
lado da obra também morreu e foi a primeira vítima a ser socorrida.
Tamanha tragédia levantou a questão mais importante: Quem é o culpado pelo 
desastre? A imprensa e a construtura tentam demonstrar que foi um infeliz 
acidente e mais nada. Mas cair um prédio de 34 andares não pode ser um 
"acidente". A rua 3 de maio onde ficava o prédio Real Class é uma área 
originalmente alagada. Basta observar que alguns quarteirões de distância, tem 
um canal, que mesmo com a ocupação urbana, não morreu, onde originalmente era 
um igarapé. O solo portanto precisa de uma atenção especial para a construção 
de obras de grande porte, já que é um solo formado de argila e arenito e não de 
rochas sólidas, daí deve se ter uma atenção redobrada com a fundação dos 
prédios. Mas o problema não é só tecnico ou do engenheiro responsáveis (filho do 
dono da empresa). O problema é social e econômico. Belém tem cerca de 150 
prédios em construção nesse momento. 

O deficit habitacional de Belém é considerado um dos maiores do país, 73.570 
casas. O primeiro problema é que a maioria desses prédios não tem nada haver 
com a necessidade de superar esse deficit habitacional, e sim de lucrar com o 
mercado imobiliário. Por exemplo, o Real Class cada apartamento iria custar 
aproximadamente 500 mil reais. Por outro lado, e resultado dessa exploração do 
mercado imobiliário, está a situação dos trabalhadores da construção civil. Com 
salários rebaixados e péssimas condições de trabalho a superexploração do 
trabalho faz com que o mercado imobiliário seja um dos mais lucrativos em 
Belém. Além do que essa expansão do mercado gera um fenômeno de migração 
interna. Os setores mais pobres vão sendo expulsos de suas casas para garantir 
o crescimento do mercado imobiliário, que constrói casas para que os setores 
médios e a burguesia que more distante do centro, venha para o centro da 
cidade, enquanto os pobres vão cada vez mais distantes e sem condições de 
urbanização. 

Esses aspectos sociais não podem ser esquecidos ao observar essa tragédia do 
Real Class, onde a vida de 3 operários se perderam. A responsabilidade é total 
da empresa, que deve garantir a família dos operários mortos devem ser 
ressarcidas materialmente, mesmo que isso não diminua sua dor, assim como das 
pessoas que tiveram suas casas destruídas. O Estado também não isento da 
responsabilidade. É preciso um plano de obras públicas capaz de diminuir o 
déficit habitacional e frear a especulação imobiliária absurda que vive 
Belém.Além de reajustes digno ao trabalhadores, pois é um absurdo os salários 
dos deputados, senadores ser reajustado em 62% e da presidente em 132% e o 
salário minimo aumentando somente 16%. 

Estamos solidários a dor e a luta dos trabalhadores operários da Construção 
Civil! 

Armando Barbosa 

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