Crianças e Adolescentes

quarta-feira, 30 de março de 2011.


A estrutura psicológica de crianças e adolescentes em situação de rua, que já cometeram furtos, que são usuários de drogas, e que conjugam uma liberdade ausente de limites, o sabor da rua pra eles é carregado de um paladar altamente nocivo. Torna-se um tanto complicado conduzi-los, pois os mesmos utilizam da lei para desrespeitar, mas que promove os direitos e os responsabiliza pelo ato que tenham cometido através das medidas socioeducativas estabelecida pelo ECA lei nº. 8.069 de 13 de julho de 1990.

Mas o que a grande mídia propaga é o inverso, pois, a força que os meios de comunicação possuem, não é a toa que alguns teóricos denominam de o 4º poder pois ela, estabelece que a estrutura do ECA favorece atos infracionais de qualquer natureza pois não serão punidos, atribuindo que a sociedade tem que se tornar refém dessas crianças e adolescentes (marginais, escoria da sociedade).

 A formação estrutural familiar brasileira ainda ingenuamente reside na família nuclear (pai (provedor), mãe (domestica), filhos (geralmente alienados de seus direitos)). A mídia acrescenta se utilizando desta situação transferindo toda carga de responsabilidade para as famílias que não estão no padrão estabelecido, pois estas crianças e adolescentes são fruto do meio em que viveram. A pressão é tamanha que os pais soltam os filhos. E dizem: “Eu quis ensinar do meu jeito, mas não quis aprender agora deixa que o mundo ensina”. Aqui está a ponta do iceberg, pois a cidadania escassa que carregam é em demasia que os mesmos não sabem nem se gostam de si, imaginem dos outros! O comportamento das crianças e adolescentes que são encaminhados para o ambiente em que trabalho “Casa de Passagem” são geralmente desrespeitoso, violento. Aí é onde agente entra enquanto educador social contribuindo na desconstruçao dessa ausência de limites. O que não soa como tarefa fácil, mas necessária. Muito desafiante. Pois nos testa em todos os níveis de nossa capacidade humana. Confesso que me assustei com a expressão corporal genuinamente vazia de significado pra mim, mas que para o adolescente possui uma identidade que não pertence ao mesmo. Sendo essa identidade criada pelas coisas externas a ele, que pra mim reside na leitura feita pelo jovem da “Cultura”. Pouco são os passos que damos pela rua, para observar que estamos participando de uma cultura que é fruto do homem. Isso é claro. Estamos numa cultura sexualizada, na cultura do lixo e na cultura da agressividade (banalização da violência). Mas quem enxerga isso?

Acredito ser importante mesmo que superficialmente comentar sobre essa fragmentação do produtor de cultura: Cultura sexualizada a começar por um certo tipo de vestuário que favorece o físico feminino; pelos inúmeros cartazes de mulheres quase despidas pelos bares o que associa o ato sexual ao consumo de bebida alcoólica apenas; pela facilidade em adquirir filmes pornográficos; pela exposição de revistas pornográficas em bancas de revistas; pelas novelas que descaradamente exibem cenas intimas, em horários ditos nobres. Cultura do lixo vivemos em uma sociedade suja, pois os adultos são os primeiros a arremessar resíduos ao chão na frente das crianças e adolescentes; os comerciantes ao abrirem os estabelecimentos varrem a calçada jogando tudo pelo esgoto, é mais cômodo. Cultura da agressividade, que repercute com a massiva veiculação da mídia jornalística sensacionalista (impressa e televisiva) que prega que a população precisa se enjaular enquanto quem deveria esta em cela não o está sem contar que a mesma cria programas para mostrar exclusivamente a violência; a impaciência em solucionar pequenos conflitos através do dialogo e sem palavrões; a série de desenhos machistas, violentos, que não tem conotação familiar e sim individualista de domínio e controle masculino como (pica-pau, ben 10, liga da justiça, outros), a gama de filmes que possuem esse conteúdo acessados com facilidade resultando na cultura do medo, cultura da impunidade e companhia.

Vivemos na Cultura do licito? Ou seja, tudo pode! Visualizado pela criança/adolescente este cenário por que não mergulha-lo? Eles são vitimas do sistema, não são coitados, nem pensar. São cidadãos, mas cidadãos escassos (família fragmentada em afetos, em moradia, com situação socioeconômica desfavorável). “Ninguém nasce bandido”... Ninguém nasce com a genética alterada para a criminalidade. Mas penso que estas crianças que se tornam adolescentes desde a concepção são filhos da drogadiçao, das bebedeiras, característica relevante da irresponsabilidade destes que são “adultos”. O problema é tão grave que nem mesmo os parentes próximos os acolhem. Mais uma rejeição que contribui com o comportamento de rua. A Constituição Federal de 1988 estabelece no Artigo 227:
                                                                             
È dever da família, da sociedade e do estado assegurar à criança e ao adolescente, com prioridade, o direito a vida, a saúde, a alimentação, a educação, ao lazer, a profissionalização, a cultura, a dignidade, ao respeito, a liberdade e a convivência familiar e comunitária, alem de colocá-los a salvo de toda forma de negligencia, discriminação, exploração, crueldade e opressão.


Comentando este artigo da CF -1988 nesta situação, a família já “lavou as mãos”, a sociedade já o rotulou através dos meios de comunicação de massa que perversamente banaliza os mesmos e o estado diante de um aparato burocrático que morosamente rasteja lentamente contribui com a descaracterização dos mesmos. Dizendo que possui força o suficiente para gerir do nascer, crescer, reproduzir, envelhecer, morrer. Ciclo natural do desenvolvimento humano. Mas estas crianças e adolescentes nesta situação que desde a gestação são cidadãos escassos antecipam seu ciclo de vida para o ciclo de vícios muitas vezes não completando o ciclo natural.

A grande mídia responsável por boa parte da desordem social no meu ponto de vista, amparada pelos artigos 220 a 224 da CF – 1988. Propaga veementemente a “indústria cultural”, ou seja, a indústria que produz “cultura” em forma de entretenimento e lazer em detrimento da educação, pois a mesma não almeja a modificação do ser humano, mas a permanência do ser passivo, inerte, acrítico. Segundo conceito criado pela conhecida Escola de Frankfurt (Alemanha) tendo como característica a padronização e a produção em serie (parcelas) na perspectiva de que a cultura contemporânea confere “a tudo um ar de semelhança” (homogeneização).

A discussão a respeito da maioridade penal é polêmica, pois a mesma não respeita a condição peculiar de pessoa em desenvolvimento (crianças e adolescentes estão em pleno desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social) e polemizam que o lugar de quem infringe a lei é o presídio. É preocupante, pois diante de um sistema carcerário desumano que existe hoje, reduzir seria como propiciar uma população carcerária elevada. Um barril de pólvora jamais. A internação é a pior das medidas que se pode adotar somente em últimos casos. O estatuto é uma legislação de proteção e não de punição.

As crianças e os adolescentes precisam de ajuda imediata do estado para a recomposição de laços familiares e comunitários (natural ou substituta), precisam ser “emponderados” acreditados que possuem um potencial de modificar a realidade que estão passando, que necessitam tentar outra vez contra a correnteza que leva para a turbulência de si, reproduzindo para a sociedade a cidadania fragmentada. 
Autor: Rodrigo Bruno - UEPA

Comentários:

 
Blog do Tiago Sousa © Copyright 2010 | Design By Gothic Darkness |