O APRENDIZADO HUMANO

terça-feira, 29 de março de 2011.

Ser humano; humano; humanidade; educado; educação são palavras que exigem do primeiro nascimento, do segundo nascimento. Mas o que dizer de crianças e adolescentes em situação de rua?
Este ensaio reside na relação oferecida pelo texto com a experiência de trabalho que passo neste momento de formação acadêmica. Comentado sobre o ambiente de trabalho e as pessoas que são acolhidas na casa de passagem por um período de 72h, mas ciente da permanência de crianças e adolescentes excedendo esse tempo. Pois são crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social (abuso sexual, negligencia, situação de rua). O contato que exercemos é de educador social, na idéia de desconstruir certos comportamentos agressivos (fisico-verbal) que herdaram acredito “eu” dentro de casa. O tempo ultrapassa o recomendado, pois também é feito um acompanhamento com a família quando se consegue contato com os mesmos.
A equipe da casa de passagem é composta de educadores sociais, psicóloga, assistente social e coordenação. As crianças e adolescentes que vão para a casa de passagem são encaminhados via conselho tutelar, ministério público e juizado da criança e do adolescente.
É preocupante essa situação, pois sabendo o quanto é fascinante que no “segundo parto” na matriz social é que se cria um leque de determinações simbólicas (linguagem e rituais próprios da cultura). Porém, na primeira gestação dentro do útero materno estes direitos são fragmentados resultando em situações degradantes. Vivemos em uma sociedade onde o modo de produção reside no “utilitarismo”. Os pais destas crianças e adolescentes se tornam vitimas e vitimizam, pois os obrigam muitas vezes estes a mostrarem que são úteis (pedindo pela rua, explorando-os sexualmente, pedindo com crianças no colo).
É inaceitável! São frutos da drogadiçao; são frutos de bebedeira; de mulheres que querem segurar o homem; de homens que se sentem “os reprodutores”. São um bando de irresponsáveis! É fácil eu utilizar a máxima de Sartre, “o inferno é o outro”. Quando um comportamento desconstroi o “contrato social” segundo Rousseau. É fácil também dizer “Aos amigos tudo, aos inimigos a lei”. Negando todo o histórico destes indivíduos que não tiveram o mesmo afeto, carinho e amor que recebemos. “Só damos aquilo que recebemos”.
Acredito que não deveria faltar neste, pelo menos um trecho sobre os meios de comunicação que através de desenhos animados como (pica-pau, ben10, Tom e Jerry e outros) mostram individualismo; violência (bate-revida); competição; não existe convivência familiar e ainda impera a figura masculina. As novelas são verdadeiras “vitrines” de moda o que leva ao consumismo, a mesma envolve temas pra nos colocar como telespectadores atuais; os programas educativos pouco divulgados e em horários inadequados. Aos finais de semana a programação, sem comentários; os noticiários geralmente estão carregados de conteúdos violentos e de corrupção (o primeiro somos convocados a assistir e o segundo tendemos a rejeitá-lo) o que pra mim contribui com uma dita “cultura do medo e da violência”. Não sou contra os M.C. M, mas é necessário uma postura diferenciada. Pois o mesmo possui uma função social. Mais a que mais é difundida é a que esta acima descrita brevemente.
Retornado a grandiosa vocação de compartilhar com todos o que sabemos, ensinando os recém-chegados que “o homem o é através do aprendizado”. Visto que o adulto ter vivido anos a mais possui formal e informalmente a responsabilidade de ensinar aos membros da sociedade.
Aí me vem à indagação, a sociedade possibilita a terceira gestação, destas crianças e adolescentes que são postas na situação acima, muitas vezes já tiveram o contato com o mundo do crime, das drogas? Sabendo que uma vez dentro, se torna bem complexo a terceira gestação?
Autor: Rodrigo Bruno UEPA-Ciências da Religião.

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