Do Blog Albatroz Berdiano

sábado, 23 de abril de 2011.
Em Terra
                      Mal refeito da dose intensiva de estudo – não só para adiantar os exames do semestre lectivo, mas sublimar a perda existencial aqui instalada –, regresso à terra. E isto é bíblico: o filho é sempre pródigo e seu regresso celebra-o a confraria. Não poderia deixar de assinalar os abraços dos familiares e amigos. O sol dos corações, apesar da frieza das horas, continua aquecido à minha chegada e dou comigo a navegar no dilema, onde o merecido e o compadecido jogam ao espadachim da sorte. Direi que tudo e nada tem a ver comigo nesta urbe, ora radiosa, ora inquinada, mas para mim sempre útero, incubadora e berço. Minha metáfora, se é que a tenho, roda o mundo, mas acaba no remanso e no regaço da Praia de Santa Maria. Meço-a pelas lágrimas vertidas e pelas gargalhadas sonorosas a cada novidade. Abomino os seus desuses de esquina, os seus palanqueiros e a meia missa dos seus fariseus, lá isso é verdade. Não morro de amores ao gado tacanho, não da boiada surrealista que atravessa a Praça do Palmarejo, mas dos senhores de antanho, hoje caducados e com manduco na mão. Mas sou sim de amores, quase todo paixão, pelo pulsar das coisas. Das nuvens brancas para lá do Ilhéu de Santa Maria às ressequidas plantas de seiva resistente, passando pela pracinha refeita e agora campus universitário, tudo me encanta no âmago. E faz-me pensar no vaticínio poético de Mário Fonseca, pois realmente…a vida nasceu.

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