Do Blog A Perereca da Vizinha

segunda-feira, 25 de abril de 2011.

Lista de funcionários fantasmas deve cair nas mãos de Edmilson Rodrigues na segunda-feira. Deputado insiste em CPI para passar “pente-fino” na AL.

O deputado estadual Edmilson Rodrigues, do PSOL, espera receber, na próxima segunda-feira, uma relação de servidores “fantasmas” da Assembléia Legislativa do Estado, que residiriam no Nordeste do Pará.
Segundo ele, uma das funcionárias da AL que se encontra em prisão temporária desde a última terça-feira teria até viajado ao Nordeste do Pará, “em um determinado período”, para obter procurações desses “fantasmas”, a fim de receber os pagamentos previstos.
Na opinião de Edmilson, a falta dessas procurações explicaria a grande quantidade de tíquetes de alimentação e de contracheques encontrada nas casas de alguns dos acusados de envolvimento nas supostas fraudes da Assembléia Legislativa, durante a operação de busca e apreensão realizada na última terça-feira pelo Ministério Público e polícia civil.
Ontem, em entrevista à Perereca, o deputado repisou a necessidade de uma CPI para passar a limpo a Assembléia Legislativa. E chegou a dizer que os deputados que forem contra a CPI “estarão a favor da desmoralização da AL”.
Até o momento, apenas Edmilson e os oito deputados da bancada do PT assinaram o documento em favor dessa investigação.
No entanto, ele tem esperanças de conseguir, até a próxima quarta-feira, as outras cinco assinaturas necessárias.
“Isso que se pegou até agora é só um milhozinho diante do milharal. É só o início. Por isso, estou esperançoso de conseguir as assinaturas para a CPI”, disse.
Edmilson lembrou os problemas existentes na AL, como os contratos com empresas de Turismo, para o fornecimento de passagens; e a locação de veículos, que seria “uma caixa preta”.
“Há uma série de coisas que precisam ser investigadas”, disse ele. “Nos últimos três meses, por exemplo, uma empresa de Turismo, sediada no município de Altamira, faturou mais de R$ 2 milhões na AL”. 
E insistiu, ao recordar a operação da última terça-feira: “Tem que passar um pente-fino. O que não dá para aceitar é que, num estado com os nossos indicadores sociais, haja quadrilhas assim”.
Edmilson salientou os poderes da CPI, em relação às investigações do MP e da polícia:
“Devido à imunidade, o delegado e o Ministério Público não têm como pedir a quebra do sigilo de um deputado. Mas a CPI pode fazer isso, sem abrir mão da parceria com o MP e a polícia. Ontem (anteontem), eles tiveram de provocar a Justiça, para obter a ordem de busca e apreensão, enquanto que a CPI pode quebrar o sigilo fiscal e telefônico. É imprescindível a CPI”.
Edmilson foi o autor do pedido ao Ministério Público que culminou na operação da última terça-feira, quando foram presos quatro funcionários da Assembléia e cumpridos doze mandados de busca e apreensão, inclusive para as residências de dois ex-deputados (Robgol e Domingos Juvenil, ex-presidente da AL) e o gabinete do diretor-geral do Detran, Sérgio Duboc, ligado ao senador Mário Couto. 
O deputado acusa o governo de exercer “uma pressão mortal” para evitar a CPI: “Não se consegue arrancar uma assinatura da bancada do governo”.
E promete buscar mecanismos para ajudar no avanço das investigações do MP e polícia civil, caso não consiga as assinaturas necessárias.
“O meu medo é que haja uma pressão política muito grande. Até agora, pelo menos dois secretários de Estado estão supostamente envolvidos nisso: Junior Hage e Sérgio Duboc. O primeiro pela ligação com um dos presos. O segundo porque até foi alvo de um dos mandados de busca e apreensão”.
E destacou o fato de quatro processos licitatórios da AL terem sido apreendidos no gabinete de Duboc, conforme noticiado pela Perereca: “o fato de esses quatro processos estarem na gaveta dele é injustificável. Ele continua mandando? Que história é essa?”

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