O Anarquismo em Poucas Palavras XXI

terça-feira, 12 de abril de 2011.
Revoluções Diárias - Autonomia

Não temos que esperar por uma revolução para podermos então vivenciar tudo aquilo que acreditamos e que desejamos, alias a tal revolução só é possivel se começarmos a praticar pequenas revoluções diárias aqui e agora. Neste tópico vamos dar alguns exemplos (e não modelos ) de estratégias e alternativas para construirmos nossa autonomia e ficarmos cada vez mais independente da máquina civilizadora.

Ocupações/squats:
Ocupar casas e construções abandonadas é um estratégia importante para criarmos espaços libertários de convívio, espaços antes vazios e ociosos se transformam e Centros comunitários com bibliotecas, hortas comunitarias, espaços para oficinas e trocas de informações.

Desobediência:
Embora cada vez mais independente da atividade humana devido a tecnologia, o sistema necessita de nossa submissão ao seu projeto.
A desobediência tem um papel extremamente importante aqui. Desobedecer significa não colaborar com este sistema, e isto nos coloca em contato com a responsabilidade de estarmos permanetemente em conflito com esta ordem, nos coloca em contato também com necessidade da solidariedade revolucionária (sobre o que falaremos mais adiante).
Recusar votar, recusar o serviço militar, ou qualquer outra "obrigação" imposta pelo sistema é algo extremamente importante, mas não podemos parar por ai, temos que destruir este mundo de obrigações e submissão.

Não colaboração com a mídia:
O Estado é a administração de toda a destruição do mundo, e a mídia é seu propagandista e hipnotizador. Portanto se queremos criar a autonomia e destruir a máquina de morte, não colaborar com a mídia e sabotá-la é uma estratégia essencial.
Muitos anarquistas acreditam que podemos usar a midia como ferramenta de propaganda. Sim, temos o problema da propraganda, divulgar nossas idéias e propostas, não colaborar com a midia nos coloca numa posição onde temos que criar nossa propria mídia, nossos modos autonomos e criativos de divulgarmos nossas críticas e propostas. Se engana quem pensa que a midia pode fazer isso por nós.

Práticas e estratégias que nos tornam menos dependentes da necessidade do trabalho e de recursos do sistema:
Podemos começar agora a experimentar a construção de uma atmosfera de autonomia, sempre na tensão de melhorar a sua qualidade e variedade. Alguns exemplos breves neste sentido são: a reutilização da água da chuva, banheiro seco, fogão a lenha, uso de transportes mais economicos e não poluentes como a bicicleta; hortas comunitárias, garimpo urbano (a prática de recuperar aquilo que foi descartado mas que ainda pode ser útil, e a utilização de outros recursos que encontramos num abiente urbano, como por exemplo a coleta de alimentos desperdiçados em fins de feira); reconhecimentos das ervas comestíveis e medicinais, artesanato, educação autônoma, coletivização de recursos, e por ai vai, até onde nossa criatividade permitir.

Resgate de práticas sustentáveis indígenas:
Em relação a autonomia e a vida em harmonia com o mundo natural, os povos indigenas são com quem temos mais que aprender, e são principalmente os quais a cultura de morte está dizimando, do inicio da civilização até hoje. Por isso temos a necessidade urgente de destruir a cultura de morte antes que ela destrua os ultimos resquícios de nossa natureza humana, caso contrário o trabalho de resgatarmos a capacidade de cuidarmos de nós mesmos e de nos reconectarmos com a terra será mais difícil e doloroso.
Resgatar práticas indigenas não significa nos apropriarmos das culturas indigenas, dos seus costumes e crenças, existem técnicas e habilidades que todos os povos indigenas compartilham, que é a capacidade se reconhecer parte do meio ambiente e de um íntimo conhecimento do meio ambiente em que vive, conhecimento do clima, plantas, animais, fontes de água, minerais, solo, e como utilizar cada um destes elementos. Esta é uma das valiosas lições que temos que Re-aprender com os povos indigenas. Somos todos indigenas, e voltaremos a ser. E esta afirmação nos leva ao proximo item.

Feral:
"Fe-ral adj. Selvagem, ou existente em um estado natural, assim como ocorre com animais ou plantas; o que foi revertido da domesticação para o estado selvagem." Feral - Dicionário Niilista - John Zerzan

A civilização é baseada na domesticação, na domesticação humana, animal e das plantas. Isto significa que a civilização é baseada no controle de algo que nasceu para ser livre e pleno, sem este roubo da vida a civilização não pode existir. Este é o fundamento de qualquer civilização: controle do selvagem, controle do natural, simplesmente o domínio.
O processo de nos tornarmos ferais é o processo de nos desfazermos de toda domesticação, é um processo de cura, um processo de nos tornarmos novamente selvagens, de nos tornarmos seres livres e plenos. É o retorno ao natural, o retorno a terra, a anarquia original.

Insurgência Nomade:

"Agricultures se apossam da terra e trabalham nela. Posse e trabalho são as definições básicas da atividade dos agricultores. Nomades atravessam o espaço e o transformam através de interações - movimento e atividade são as atividades basicas dos nomades.
Agricultores necessitam de habitos, rituais, consistencia, unidade. Nomades quebram habitos, transformam, variam, diversificam. Agricultores idolatram a ordem. Nomades criam o caos.

A agricultura é a origem da ética do trabalho, devido o agricultor ser aquele cuja a vida é criada para o trabalho de cultivar. O agricultor não pode criar nenhum momento para si que entre em conflito com as necessidades do trabalho agricola - caso contrario, a lavoura fracassa e o agricultor perde sua identidade, e possivelmente sua sobrevivência. O tempo - uma constante e padronizada medição de movimento - é essencial ao agricultor - sua mobilidade pelo espaço não é mobilidade através do espaço - não essencialmente - mas o trabalho da terra. Isto é baseado em ordem, o controle de ciclos medidos.

Nomadismo - pelo menos em atitude - é essencial para a autonomia. A recusa da permanência, a recusa de uma patria. "
Insurgência Nômade - Feral Faun

Talvez esta seja uma prática que ainda será bastante discutida e praticada, uma prática a ser redescoberta como estratégia libertadora. Como prática subversiva e libertária o Nomadimso Insurgente não é algo novo, apenas não é tão difundido e nem mesmo conhecido como "insurgencia nomade" (ao menos no Brasil).
Nós, humanos, somos uma espécie que durante 99% de nossa existência vivemos como coletores-caçadores nômades, (apenas 1% da história humana vivemos, devido a uma cultura autoritaria e dominadora, como seres sedentários). Isto significa que somos o que somos (com nossos sentidos, corpos e mente, etc) porque vivemos e nos desenvolvemos como seres nômades, seres não sedentarios. Portanto, para uma vida livre e plena é necessário resgatarmos aspectos de nosso nomadismo ancestral e entendê-lo. Qual animal em estado selvagem (isto é, em estado livre e natural) é sedentario?

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