A Perspectiva Político Sócio-Econômica

quarta-feira, 25 de maio de 2011.

Antes de iniciar a minha análise gostaria de fazer algumas observações que acho pertinente ao assunto e que implicam na grande confusão que este está causando na cabeça das pessoas. Primeiro tentei ler e procurei textos na internet e livros que me dessem subsídios para escrever sobre o assunto e fiquei triste de ver que nenhum, repito nenhum que escreveu ou propôs sobre a divisão do estado tenha feito uma analise realmente seria e relevante sobre o assunto, uns se fadam ao romantismo de um estado gigante pela própria natureza e outros apenas querem a divisão porque querem e ponto, não fazem um esforço se quer para perceber o impacto que a divisão vai causar nesta sociedade, ainda Paraense. O segundo é que tanto de um lado como de outro os argumentos são fraquíssimos, diria até pálidos, não dão conta do debate que deve ser posto com toda a sociedade Paraense. Uns dizem “nós vamos perder as nossas riquezas” e outros dizem “as regiões estão abandonadas pelo poder central do estado”, ditos de algum modo essas frases podem até 1convencer alguém, mas fazendo uma analise apurada percebemos o quão fazias são tal afirmações. Feitas as observações vamos ao que interessa.

Não temos como fugir a observação que mais que um anseio da população abandonada das regiões onde devem ser criados os estados de Tapajós e Carajás, esta proposta surge por um choque direto entre as elites locais do Pará e isto se intensifica tão logo o estado cresce econômica e politicamente, não é a toa que quem fez o traçado do mapa dos novos estados foi um deputado do Tocantins, em não se tendo consenso entre as elites locais as regiões afastadas do estado uma da outra procuram relação política com outros estados, assim por exemplo onde será criado o Carajás a forte relação entre esta região e o estado do Tocantins é evidente (relação política, econômica, social, etc), tanto que lá no Tocantins houveram varias plenárias em debate e apoio a constituição de um novo estado vizinho, o que ainda este ano causou o maior rebuliço porque estaria presente na plenária o governador do estado de Tocantins e foi anunciado na pagina oficial do governo do Tocantins na internet o encontro que reforçaria a proposta de divisão. 

O também blogueiro e economista do IPEA Waldir Silva fez cálculos sobre a viabilidade econômica dos estados do Tapajós e Carajás, levando em consideração os dados atuais chegou a conclusão que os novos estados teriam um custo de manutenção de R$2,2 bilhões e R$2,9 bilhões ao ano. Desta forma, levando em consideração a ordem de arrecadação projetada dos estados, os custos chegariam a um déficit em torno de R$2,16 bilhões, somando-se os dois, que inevitavelmente teriam o seu déficit que ser cobertos pela federação, ou seja, mais gastos para o tesouro nacional.

Só para se ter uma idéia do drama em 2008 a arrecadação do estado do Pará foi de R$58,52 bilhões e o estado gastou 16% com a manutenção da máquina publica. Já os estados do Tapajós e do Carajás gastariam respectivamente 51% e 23% do seus PIBs, levando em consideração a media de gasto nacional que é de 12,72% não precisa nem eu afirmar aqui que estes estados não se sustentariam, o mais provável é que eles quebrem tão logo sejam criados.

Como a base de cálculos feita pelo pesquisador se baseia nas medias de gasto com a manutenção da maquina publica por habitante em cada estado, ele conseguiu chegar à projeção de gastos de cada um, considerando as populações dos novos estados. Vejam que o pesquisador não levou em conta gastos que são e estão intimamente envolvidos na construção de novos estados como a construção de prédios públicos, a necessária implantação de infra-estrutura como: a construção e ampliação de portos e aeroportos, etc,etc.  a frase com a qual finaliza a sua analise é relevante para entendermos os interesses por trás da criação destes novos estados “serão estados de boca aberta, esperando o dinheiro do governo federal”.

Se há alguém de verdade que vai ganhar com a criação destes estados é a classe política com a criação de novos cargos; Governadores, Deputados Estaduais, Deputados Federais, Senadores. E desta forma apenas enriquecendo e acumulando o poder político em (aqui fica perfeita a analise do blogueiro Diego Sousa) verdadeiros feudos políticos, como se o poder fosse disputado em uma corrida revezamento quatro por quatro passando o bastão das oligarquias regionais umas para as outras.

Só para não deixar dito pelo não dito vamos refletir sobre os que dizem que a criação destes cargos políticos vai ser bom para todo o Norte do Brasil, pois vai ampliar a capacidade e a capilaridade política do norte como um todo, vamos a analise:

O Brasil possui 81 senadores divididos em numero igual pelas 27 unidades da federação o que dá três por estado, sendo que no nordeste temos 9 estados somando no total 27 senadores, no sudeste temos 4 estados somando 12 senadores, no sul temos 3 estados num total de 9 senadores, no centro-oeste temos 3 estados mais o distrito federal o que dá um total de 12 senadores, já no norte temos 7 estados o que dá um total de 21 senadores, apesar de o Norte ser a segunda região do Brasil com maior numero de senadores a de se refletir que as regiões sul, sudeste e centro-oeste sempre tem aspectos sócio-político e econômicos parecidos o que leva em geral a bancada no senado a se afinar fazendo com isso a soma de 33 senadores.

Na câmara federal a disparidade é ainda maior, no sudeste temos 179 deputados federais, no sul temos 77, no centro-oeste 41, no nordeste 143 e finalmente no norte temos 65. Façamos os cálculos comigo somando os interesses de sul, sudeste e centro-oeste temos nada mais nada menos que 297 deputados federais, o norte e o nordeste ainda que votassem juntos em tudo teriam 208 e é claro que isso não acontece, pois os estados do nordeste no geral se alinham a bancada do sudeste e o norte sempre fica só e chupando o dedo. O mínimo que cada estado tem que ter de deputados é 8, fazendo as contas mais meia dúzia de deputados e 6 senadores para a região norte não vai mudar em nada a configuração política nacional, pelo contrário teremos mais motivos ainda para acreditar que a nossa bancada é fraca e não vale nada diante das bancadas do “sul” e nordeste do Brasil.

Para terminar a postagem a uma ultima coisa que eu não poderia deixar passar em branco. O nosso estado tem e teve uma historia de ocupação e configuração social completamente diferente dos outros estados Brasileiros, por tanto é no mínimo precipitado afirmar que a criação de novos estados vão fazer a igualdade ou amenizar o abandono dessas regiões/estados.

OBS: como já disse aqui no blog ano que vem é o ultimo em que irei votar, pois como tenho demonstrado sobre aspectos ideológicos e de “fé” não acredito nesta “democracia” e neste tal “estado livre” e por tanto se o plebiscito sobre a divisão do estado do Pará acontecer até 2012, vou votar e votarei não pela divisão!, faço esta opção porque acredito que mais do que distancia, diferença social e etc. a vontade política é a principal lastima que hora ou outra são comuns as regiões desta nação chamada Pará e quem garante que depois de um gasto de energia e um choque direto entre as elites regionais alguém vai fazer alguma coisa para mudar a realidade destas regiões.

Eu Voto Não Pela Divisão!

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