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sábado, 28 de maio de 2011.

   18 anos de UEPa: bem vindo a “Neverland”

Como a maioria já deve ter percebido a UEPa, alcançou sua “ maior idade”, o momento parece-me oportuno para fazermos alguns balanços, no entanto, não quero fazê-lo, pois, estou somente a 3 anos por aqui e talvez não tenha  autoridade para isso. Ainda sim, gostaria de partilhar algumas percepções que tenho feito sobre tal momento.
Por ocasião deste aniversário varias e diversas manifestações surgiram no cenário da UEPa. A imprensa descreveu uma IES, onde não há problemas, nem dificuldades, lugar do respeito onde impera a democracia... Uma “Neverland”(terra do nunca), um conto de fadas, ou do vigário, como queiram. De encontro ao “Éden” que os arautos da reitoria anunciam aos quatro cantos, estão alguns céticos que compõem uma resistência, formada, sobretudo por professores, vitimas do autoritarismo, que como fosse um irmão gêmeo da UEPa, também completou seus 18 anos e nesse momento encontra-se mais forte e maduro. Os lamentos desses docentes, coordenadores e técnicos, sobretudo, os do CCSE, fazem-se primordiais para defesa do bem maior que este centro produz... A educação, apesar, da tamanha importância, ou melhor, talvez pela tamanha importância na construção de uma nova sociedade, os ataques tenham sido tão cruéis ao longo desses 3 anos, dos quais fui testemunha ocular.
Neste contexto tão adverso, não posso ignorar minha condição: estou discente deste centro! E talvez, por nunca ter sido fã do Peter Pan eu me recuse a acreditar na “terra do nunca”, todavia, meu pesar ficar por contar do fato de que nem todos discentes parecem pensar assim, e é ainda maior quando vejo o DCE que escolhemos para nos representar, fazendo todo esse silencio ensurdecedor... Perdoem meu julgo, mas é que criado com ensinamentos de meu pai, um homem rústico e simples, fui levado acreditar que todo aquele que não reclama está satisfeito. Contudo, talvez meu pai não seja de fato a melhor referencia, portanto, gostaria de lembrar algumas palavras do filosofo espanhol Unamuno reitor da universidade de Salamanca, citado por Lucio Flavio Pinto, narrando o que ocorreu com o mesmo quando a Espanha encontrava-se sob o regime do ditador Franco, depois de receber duras criticas do filosofo o ditador mandou seus assassinos para o intimidarem diante de sua comunidade, após ser ameaçado de morte publicamente, foi-lhe concedida a palavra ele olhando para a platéia começou dizendo: “por que vós me olhais tão apreensivos? Porque sabeis que sou incapaz de me calar, que sou incapaz de cometer o pecado da conivência”, depois disso reafirmou todas as criticas que fizera antes. Portanto, depois de cortes de vagas, atos de referendo, demissão em massa vê a representação discente tão satisfeita ou “conivente”, como queiram, é frustrante e quase incompreensível, entretanto, talvez um dito popular nos ajude, pois, como dizem: “quem não chora não mama”, ora se o choro é a condição para a amamentação, ou mamata como queiram, só posso pensar que aqueles que nesse momento não choram estão mamando... Mas em quem? Por que eles podem enquanto muitos choram? Com 18 anos a UEPa tornou- se uma moça de tetas fartas...
Eu não cometerei o “pecado da conivência” e nem “lavo minhas mãos do sangue de todos os inocentes” que sofrem por aqui...
Tenho dito,
                                                   Altobelly Rosa

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