Dando Murro em Ponta de Faca

sexta-feira, 10 de junho de 2011.

Esqueci de contextualizar as matérias anteriores, é que eu fiz uma matéria intitulada “A Voz da Hipocrisia” que tratava de uma afirmação do jornalista Carlos Nascimento e ela foi re-blogada pelo blogueiro Bruno Marques, tem que lá no Blog do Bruno o Professor Luiz Santos fez um comentário concordando com a posição do jornalista o que me causou um espanto ainda maior e uma resposta na matéria intitulada “Perplexidão II Parte” e novamente o professor fez dois comentário no re-blog do Bruno Marques que vou exibir abaixo e em seguida minhas considerações que espero sejam o fim do debate, pois creio não estar saindo do lugar com ele, enfim... Leiam:

http://4.bp.blogspot.com/_CpnbyVdETdA/TUwhDaDA3bI/AAAAAAAAAC0/aLp_HxjajpQ/s45/OgAAAFLHRAFIpBvp0VcCVPKUDrVnCGPa5YRm2VXA9r0lPLlP0dY9HAcm6anzjRgq8Qv9xF3smL7P_xrAXf9_wvOjH1cAm1T1UFu2WGgugKJlKAStBriRp56zhLs0.jpg
O que caracteriza o senso comum, meu caro Tiago? Idéias embasadas em experiências pessoais, retiradas do cotidiano, construídas nas andanças de todos nós? Bem, devo dizer então que sou senso comum. Orgulhosamente, senso comum. 
Sou favelado e desde cedo aprendi o que é discriminação, preconceito, luta de classes. Vejo os debates pela televisão, vejo pessoas falando de coisas de forma teórica, sem nunca terem sentido a verdade bater em sua porta, em sua vida, em sua cara.
Sou contra a discriminação em todas as suas esferas, de todos os tipos, seja contra quem for.
Não discrimino maconheiros, prostitutas e homossexuais. Mas sei, pelo senso comum, que muitos jovens são levados a este caminho por falta de orientação, de informações e de uma discussão séria sobre estes assuntos. Não se trata de sermos apenas contra ou a favor, não se trata de tomarmos uma posição e pronto. Precisamos discutir as origens, o desenrolar destes processos e suas conseqüências.
Não discrimino, mas também não faço apologia.
Sou a favor que se construa uma cidadania irrestrita, ampla e igualitária, como alias, deve ser a cidadania, e, acima de tudo, respeitando as diferenças e qualidades, não só das minorias, mas também da maioria. Sem o que não há democracia.
Uma outra coisa, meu caro tiago, nao o conheço, nao sei sua historia, portanto embasarei minhas discussoes em idéias, e, neste campo gostaria que mantivessemos nossa discussao. 
Sem hipoteses pessoais, sem juízo de valores.
grato.


Engraçado porque a sua afirmação levou em conta somente e irrestritamente juízos de valor e questões pessoas.
Mas vamos ao que interessa... Primeiro gostaria de lhe fazer uma pergunta você acha que a “verdade” existe? Ela não seria apenas um recorte da realidade? Levando em consideração aspectos da vida muito restritos? Portanto o que você acreditar ser verdade? Se tudo aquilo que está de frente a todos nós nos são dados mastigados por outras pessoas e pelo próprio sistema como você afirma com tanta convicção que há verdade nisso? Reflita novamente sobre o trecho da música dos Titãs “a televisão me deixou burro, muito burro demais e agora todas as coisas que eu penso me parecem iguais”. Cuidado com o que você anda assistindo por aí!
Veja todo e qualquer discurso é uma tomada de posição, quando você afirmou concordar com o Carlos Nascimento você se posicionou ali, por demonstrar que é contra a lei 122, isso não é se posicionar?
Até parece que você não leu a minha matéria quando me posiciono a favor da lei 122 é porque tem dados estatísticos e provas reais que mostram uma violência geralmente voluntaria aos homossexuais e sem punição por parte do agressor que se vê no direito de agir assim por não haver legislação que ampare os homossexuais atingidos. No período entre a publicação da matéria a voz da hipocrisia e Perplexidão II parte tive noticia de três assassinatos de homossexuais e você sabe o que aconteceu aos autores? Nada!
De novo está palavra por aqui “apologia”, foi até bom porque vou responder essa e outra questão de uma vez só. Como? Explique-me dar cidadania irrestrita, ampla e igualitária e respeitando as diferenças sem dar direitos? Sim porque segundo o tal “estado democrático” de que irá servir se não der direitos a quem é de direito? (Por isso eu afirmo direito as prostitutas já! Aos homossexuais já! As mulheres já! Aos maconheiros já!) Não faço nenhuma “apologia” porque a homossexualidade não é nenhum “vicio” e nenhuma “doença” ou “desvio de conduta”, já há tantos estudos sobre o assunto que eu me sinto constrangido a ter que explicar isso a um professor à homossexualidade é um conjunto de fatores naturais e culturais, assim como também é a heterossexualidade um conjunto de fatores naturais e culturais.
Ah... O senso comum, não precisava avisar que você é puro senso comum, pois com as suas afirmativas logo se percebe isso. Quando você afirma isso parece que está carregado de coisas positivas e valoráveis do que é ser senso comum, quando na verdade não é, o racismo, a homofobia, o machismo, a verdade cristã em detrimentos de outros cultos, etc. estão e são parte do senso comum porque fazem parte de nossa “cultura” branca, heteronormativa, patriarcal e cristã e tudo o que for contrario a isto parece de imediato anomalia, reflita sobre suas afirmações e verá isso “Não discrimino maconheiros, prostitutas e homossexuais. Mas sei, pelo senso comum, que muitos jovens são levados a este caminho por falta de orientação”. Por isso eu disse que precisamos nos despir de nossas “verdades” para enxergarmos o mundo sobre outra ótica que não seja esta que nos limita e nos põe sobre o “pensamento dominante” (olha a TV aqui de novo) este discurso de “padrões morais” e “éticos” dentro da ótica cristã de enxergar o mundo não estão quase mais fazendo parte da realidade, veja ao seu redor e você verá que a sociedade está mudando e, no entanto, as nossas leis estão ficando para trás, não pode! Nosso sistema jurídico tem que acompanhar as mudanças sociais.
 Veja... quem aqui está colocando as suas convicções pessoas a frente de uma analise realmente critica?
Se você quer saber eu conto um pouco da minha história, sou Tiago Sousa, nasci em Santa Izabel do Pará no dia 25 de julho de 1989 no Hospital e Maternidade Santa Izabel, aos nove anos vi meu pai morrer acometido de um câncer no pulmão e por esse motivo odeio cigarro e seus derivados, depois da morte de meu pai passamos uma situação muito difícil, fui morar em Curuça onde passei dois anos e meio de minha vida e lá cheguei até a passar fome, depois que retornei a Santa Izabel enfrentei maior barra principalmente para continuar meus estudos, passava as vezes dias inteiros sem comer nada por falta de grana mesmo (isso ainda acontece as vezes, mas hoje já sei me virar um pouco mais) e ainda encontrei pessoas estúpidas como um certo empresário da cidade que deve estar inaugurando uma casa de... Enfim... Que me falou depois da vitória do “Sr”. Marió Kató (conversávamos sobre o abuso na passagem de ônibus, a situação precária que os estudes são submetidos, etc) que com a posição que eu tinha não ia passar de um morta fome, um pé rapado que jamais freqüentaria lugares como a espelunca dele (veja pratica descarada de preconceito social) e ele nem sabia que eu jamais quero me misturar a rufinalha (o Bruno vai dizer que estou sendo sectarista, mas não tenho mesmo vontade de me misturar com quem pensa assim) e o que ele diria se soubesse que eu troquei o sonho socialista pelo anarquismo? Se você me perguntar por que não disse mais nada a ele? É porque eu aprendi que há pessoas com as quais é praticamente impossível discutir. Hoje estou cursando uma graduação, moro em uma zona periférica da cidade, estou de bolsa na universidade e enfim... Está é apenas uma ínfima parte de minha história que precisaria de um livro para contar, mas não insinue que eu não sei o que é sentir na pele o que é levar uma vida de exclusões e marginalidades porque não nasci em berço de ouro e dou um duro danado pra fazer valer apena cada oportunidade que tenho e é exatamente por isso que mudei a proposta do meu blog que chegou a ser um blog poético e agora discute a nossa sociedade em especial a Izabelense, no mais... Tudo dito!   

1 Comentário:

Prof. Luiz Santos disse...

Caro Tiago,
Em uma guerra de trincheiras, cada um defende sua posição passo a passo, palmo a palmo, palavra a palavra.
Não quero discutir semantica com voce. Mas só para Esclarecer. Apologia nao esta relacionada apenas com drogas. Consulte o significado da palavra.
Quanto as questoes sobre homoafetividade, devo dizer DEFINITIVAMENTE, que nao tenho posicao contrária, sejam por razoes morais ou cientificas.
Sou a favor de se aplicar o principio constitucional da isonomia "todos iguais perante a lei".
Sejam quem for.
Você atua panfletáriamente, eu apenas me posicionei como cidadao.
Parabéns por sua postura.
Tome cuidado porém para nao cair na tentação dos ditadores: ACHAR-SE O DONO DA VERDADE.

 
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