Do Do Blog Da Edilza Fontes

segunda-feira, 27 de junho de 2011.

BR-316 teve mais de mil acidentes em 5 meses

Basta passar do túnel que marca o início do Entroncamento, na BR-316, em Belém, que os piscas dos carros começam a acender. As filas de veículos se apertam e o trânsito fica lento. Impacientes, em meio a caminhões de todos os tipos - de lixo, transportadores de combustível, cargueiros tomados por botijões de gás –, carros, motos, ônibus, vans e bicicletas, motoristas saem ‘costurando’ as três faixas da pista para se livrar do engarrafamento.

É só um dar o sinal de que vai passar para a pista do lado que o troca-troca de faixas toma conta dos outros. Alguns, indecisos, seguem entre duas pistas, em cima da faixa que as divide, à espera de uma brecha.

Mais à frente, já no perímetro em que se aproxima o município de Ananindeua, a confusão se intensifica. A grande quantidade de ônibus de linha, intermunicipais e vans que fazem o transporte alternativo deixam livres apenas duas das três faixas da pista. Param longe do meio fio e não respeitam as paradas estabelecidas. Deixam passageiros no meio da rua e circulam entre as faixas reservadas aos carros de passeio.

Como se não bastasse a lentidão rotineira, causada pela grande quantidade de veículos e pedestres, uma carroça atravessa ‘à força’ em frente aos veículos. Aos poucos, o animal que puxa o carro de madeira vai encontrando uma brecha para atravessar de um lado a outro da pista. Em frente, a poucos metros, uma batida entre um caminhão e um carro para uma das faixas, deixando apenas a faixa do meio com fluxo normal.

Situações como esta não são raridade nos primeiros 20 quilômetros da rodovia BR-316, trecho que acumula o maior número de acidentes das rodovias federais do Brasil. Somente nos primeiros cinco meses de 2011, já foram registrados 1.038 acidentes, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal do Pará (PRF-PA).

Colisões que deixaram 382 feridos e 15 mortos apenas no perímetro que vai de Belém até o município de Benevides. “São dados gerais de acidentes porque nesse trecho circula de tudo. Mas os casos de maior gravidade são os que envolvem ciclistas e pedestres”, aponta o assessor de comunicação da Polícia Rodoviária Federal, Erlon Andrade.

Apesar disso, o cobrador Rayron Fonseca não vê problema em atravessar correndo em meio ao grande fluxo de veículos de uma rodovia. Mesmo que a passarela esteja bem acima de sua cabeça, ele escolhe caminhar por entre os carros que circulam na pista. “É uma imprudência”, reconhece.

Com o grande movimento do final da tarde, ele arrisca a vida para não ter que subir escadas. “Eu atravesso todos os dias na passarela, mas de madrugada e aos domingos eu atravesso embaixo mesmo, porque não tem muito fluxo”, tenta justificar sua atitude em uma tarde de sexta-feira. “Eu sei que é errado”.

Diferente dele, a autônoma Antônia de Souza tenta atravessar no local destinado para pedestres. De qualquer modo, não se vê livre da possibilidade de acidentes. Em frente à faixa de pedestre localizada em uma rodovia federal, onde a velocidade permitida pode chegar a 120 km/h, ela aguarda pelo momento certo de atravessar.

Carros e caminhões passam em alta velocidade, ignorando sua presença no meio fio. Ainda assim, quando o primeiro carro para, em apenas uma das faixas, um susto. O carro que vinha atrás freia bruscamente tirando ruído dos pneus e quase colide com o carro da frente. “Assusta, mas ainda bem que ainda estava no canteiro”, comenta Antônia.

Mesmo quando ela consegue colocar o pé na faixa para atravessar, seu direito não é respeitado. Ela ainda nem chegou ao outro lado da pista e os motoristas mais apressados já arrancam com o carro em volta dela. “Eu só atravesso aqui porque eles têm obrigação de parar na faixa”, comenta.

São imprudências como a desses motoristas que provocam acidentes diariamente na rodovia. O autônomo Lindolfo dos Santos, que trabalha há cinco meses vendendo bombons em uma parada na rodovia, já está acostumado a ver acidentes. “Semana passada, um micro-ônibus bateu uma bicicleta e uma moto”, não tem dificuldades para lembrar. “Aqui é muito perigoso. Um dia desses, uma carreta bateu em um ônibus, que perdeu a direção e veio parar aqui em cima da calçada. Se não fosse por pouco, eu nem estaria aqui falando”.

Assim como ele, o taxista João Chaves, que trabalha em um ponto próximo ao Entroncamento, já presenciou muitas colisões na rodovia. “É todo dia. É acidente com carro, com moto, pedestre...”, afirma. Porém, os que envolvem motos são os mais lembrados por ele.

“As motos vêm muito no corredor (entre os carros) e muita gente atravessa aqui e não vê as motos. Chegamos a pegar os nossos cones e isolar a área onde ficam os corpos até a polícia chegar. É muito perigoso”. (Diário do Pará)

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