MPF lança site de repatriação de documentos do Brasil: Nunca Mais

segunda-feira, 20 de junho de 2011.

Site mostra história do BNM e passos do processo de digitalização de todo acervo – enviado e mantido no exterior por temor do regime militar
O Ministério Público Federal (MPF) celebrou terça-feira (14/06) a repatriação do acervo do Brasil: Nunca Mais - projeto realizado em pleno período de ditadura militar que buscou informações e evidências de violações aos direitos humanos praticadas por agentes do Estado nos próprios processos contra presos políticos que tramitavam nos tribunais militares. No Ato de Repatriação também foi lançado o site de acompanhamento do projeto Brasil Nunca Mais Digit@l, que vai disponibilizar toda documentação mantida no exterior pelo Conselho Mundial de Igrejas (CMI) e pelo "Center for Research Libraries" (CRL) na rede mundial de computadores.

O ato foi realizado ontem no auditório da Procuradoria Regional da República da 3ª Região (PRR-3) e contou com a presença dos idealizadores dessa digitalização – membros do Ministério Público Federal, integrantes do CMI, do Arquivo do Estado de São Paulo e do Armazém Memória.

O acompanhamento dos trabalhos de digitalização poderá ser feito no endereço www.prr3.mpf.gov.br/bnmdigital. O site definitivo, com todo o acervo recebido ontem, deverá ser lançado em um ano. Esse acervo é formado, fundamentalmente, por cópias de 707 processos contra presos políticos. Esses processos eram retirados pelos advogados dos presos políticos no Superior Tribunal Militar (STM) que, se valendo das 24 horas facultadas para acesso aos autos, fazer cópias de todo o processo – boa parte continha detalhes das sessões de tortura, relatadas pelos presos em reclamações feitas às auditorias militares.

Por temer a captura e destruição desses documentos, foram feitos microfilmes desses processos para serem remetidos ao exterior. Atualmente eles se encontravam no CRL, centro de pesquisa em Chicago que congrega importantes universidades norte americanas. Outro importante acervo  repatriado no ato refere-se às cartas e outros documentos trocados pelos idealizadores do Brasil: Nunca Mais que foi mantido em Genebra (Suíça). Essas cartas detalham a execução do projeto e relatam a tensão e riscos que seus idealizadores corriam. Esse acervo tem cerca de 4 mil páginas e também será integralmente disponibilizado no site do Brasil Nunca Mais Digit@l.

Assessoria de Comunicação Social
Procuradoria Regional da República da 3ª Região
ascom@prr3.mpf.gov.br

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