Hugo Chávez assume que luta contra um câncer

sexta-feira, 1 de julho de 2011.
Caracas, 1 jul (EFE).- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, pôs fim na noite desta quinta-feira à incerteza que há semanas cercava a sua saúde, revelando que um tumor foi extraído do seu corpo e que está sendo tratado de um câncer em Havana, onde já está há três semanas.
Em mensagem lida à nação, aparecendo no vídeo acompanhado por uma imagem do libertador Simón Bolívar e pela bandeira da Venezuela, Chávez usou um tom de voz em muitos momentos emocionado para dar a notícia de que foi detectado um tumor com a presença de células cancerígenas, contra as quais continua a ser tratado.
O presidente venezuelano chegou a Cuba no último dia 8, onde a previsão, disse, era fazer apenas uma revisão de um problema que tivera no joelho nas últimas semanas.
No entanto, foi diagnosticado um abscesso pélvico que o obrigou a passar pela sala de cirurgia no dia 10. Após essa intervenção cirúrgica, e apesar da "propícia evolução geral", apareceram "suspeitas" de "outras formações celulares não detectadas antes", afirmou.
Foi o líder cubano, Fidel Castro, quem lhe deu a má notícia do câncer, explicou Chávez, que apesar de sua destacada capacidade de improvisação e oratória não saiu da linha do texto que tinha em suas mãos.
O diagnóstico o obrigou a passar por uma segunda intervenção cirúrgica que "permitiu a extração total do tumor", segundo indicou o governante de 56 anos, vestido de azul e com o cabelo curto, ao especificar que "se tratou de uma intervenção maior realizada sem complicações".
"Continuei evoluindo satisfatoriamente, enquanto recebo os tratamentos complementares para combater os diversos tipos de células detectadas e assim seguir o caminho da minha plena recuperação", assinalou, em alusão ao câncer diagnosticado, cuja localização não revelou.
Chávez disse que a doença não o afastou do seu cargo de presidente, pelo que se manteve "informado e no comando das ações do Governo bolivariano", e em contato permanente com o vice-presidente da Venezuela, Elías Jaua, e sua equipe de Governo.
Falando dos "erros fundamentais" por não ter cuidado da saúde e se mostrar durante muito tempo "renuente" às revisões médicas, Chávez reconheceu a dificuldade do momento pelo qual está atravessando e sua esperança de já haver superado a parte mais complicada do processo.
Chávez agradeceu pelas expressões de solidariedade, tanto do povo venezuelano como de outras nações e presidentes, e também pela ajuda de Cuba.
"Todo esse amor e toda essa solidariedade constituem a mais sublime energia que impulsionam minha vontade de vencer esta nova batalha que a vida nos pôs à frente", assinalou.
Chávez mencionou o dia 4 de fevereiro de 1992, quando houve a tentativa fracassada de golpe de Estado contra Carlos Andrés Pérez, o momento do seu "ocaso", além da "aziagas horas" do golpe de Estado que durante 48 horas o tirou do poder, em 2002.
"Agora, neste novo momento de dificuldade, e sobretudo desde que o próprio Fidel Castro em pessoa veio anunciar a dura notícia do câncer, comecei a pedir a meu senhor Jesus que me concedesse a possibilidade de falar a vocês não desde outro caminho abismal", disse.
A mensagem de Chávez acaba com as conjeturas sobre o alcance de sua doença, que dispararam depois que o Governo anunciou a suspensão da Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e do Caribe (Celac).
A decisão de suspender o evento, programado para o dia 5 de julho em coincidência com os atos comemorativos do Bicentenário do país, que para a Venezuela tem uma enorme importância simbólica, deixou evidente que, apesar do vídeo transmitido esta semana com Chávez e Fidel, a saúde do presidente venezuelano estava mal.
"Com minha esperança suprema por enquanto e para sempre, viveremos e venceremos. Muito obrigado, até o meu retorno", encerrou o presidente.
Fonte: Agênsia EFE

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