Manifesto anarquista

terça-feira, 30 de agosto de 2011.

Todos os dias, as pessoas (que chamarei de engrenagens) começam a sair de suas moradas (ou prisões) mais ou menos às quatro da manhã, mas algumas delas podem se dar ao luxo de sair mais tarde. Isso acontece não porque esses pouquíssimos seres são melhores ou mais fortes, mas porque se chamam patrões e estão armados com algo tão poderoso e terrível quanto mísseis que destroem cidades inteiras. Estão armados com números e cifrões os quais compõem um sistema inventado por eles: o capitalismo. E essa arama que vem destruindo a humanidade e até o planeta terra é o dinheiro.
Já fora das prisões particulares começa a masturbação mental em forma de competição na grande selva que são as cidades pós-modernas nas quais é impossível estar em algum lugar sem ver uma propaganda te observando e tentando te comprar ou sem a presença de um adversário que tenta te passar pra trás em função do lucro.
A competição funciona milimetricamente quando as engrenagens se encaixam, porém o jogo já está comprado. Comprado pelo Deus que se exalta chamado dinheiro. Ele define quem vai vencer, trama armadilhas desonestas, e usa engrenagens um tanto quanto cruéis para que funcione o sistema como, por exemplo:

1-Mão de obra reserva: esse conceito se resume na necessidade de que exista uma mão de obra qualificada sem emprego para que os salários dos que estão empregados sejam baixos e caso não aceitem esse lucro desleal dos burgueses donos dos meios de produção a mão de obra reserva qualificada assume o lugar dos empregados por um salário menor ainda. Tudo em função do lucro.

2-Mão de obra barata: Porque não explorar crianças na Indonésia na confecção de tênis se é mais lucrativo?

Democracia? Bem estar social? Tratar seres que não são iguais de maneira igual? É certo alimentar o instinto de competição num jogo que não é disputado em condições iguais e que mostra necessária a existência da desigualdade para seu funcionamento? Alimentar a cobiça através de comerciais? Alimentar a ambição? O mito da liberdade e igualdade?
Alguns estão insatisfeitos e vêem sua liberdade ameaçada enquanto outros já a encaram como completamente consumidas pelas conseqüências do capitalismo: a violência, a fome, a guerra, a deturpação dos valores, a morte da razão, da humanidade e até do planeta que, após a modernidade industrial sustentada posteriormente pelo iluminismo burguês e seu irracional antropocentrismo, começa a definhar sob diretrizes impostas de que está tudo a serviço do progresso ilimitado.
Talvez a democracia nos defenderia com sua bruta incoerência: “ sem infringir a lei discorde a vontade” e por isso venho escrever esse texto para mostrar a impossibilidade de coexistência do dinheiro e da propriedade privada com o bem estar social já que todos levantam a bandeira de que o ser humano é um ser ambicioso atribuindo à sua natureza as mazelas de um sistema, incoerentemente.
Parto do pressuposto de que o homem não é bom e muito menos mal por natureza, mas potencialmente tudo, sendo assim te convido a pensar sobre esse ser em diferentes contextos:





1. Sociedade Totalitária

Em um regime totalitário as pessoas são inseridas num contexto em que o senso de unidade é fundamental. Tudo pelo Estado! As pessoas acabam desenvolvendo potencialidades que ficam adormecidas quando em outros contextos, pois não é mera coincidência a sociedade alemã ter apoiado Hitler massificamente. Nesse contexto, uma mentalidade comum é criada, a exclusão ao diferente é trabalhada, mas o sistema é o outro e as armas são ideologia, manipulação da mídia, autoritarismo gerando o que eu chamaria de sociedade totalitária completamente diferente, por exemplo, da sociedade capitalista.

2. Sociedade Capitalista

E nessa que o homem desenvolve a ambição através da sedução pelos comercias e da ideologia do status social. Todos querem ser bem vistos pelo outro se esquecendo de si mesmo. È um sistema que não trabalha a responsabilidade individual uma vez que o respeito ao próximo é mais importante e a lei nos protegerá. Isso só ajuda a buscar no fundo da natureza humana uma potencialidade que poderia ser jogada fora, o individualismo irresponsável.
È um sistema que desenvolve o preconceito, pois é baseado na acentuação das diferenças materiais tornando os que têm menos excluídos e fracos ao deslocar a noção de valor das relações humanas para objetos deixando de lado sentimentos e idéias; o que leva a plastificação das relações entre as pessoas transformando-as em relação entre as posses das pessoas abrindo espaço para relações falsas, superficiais e como “se dar bem e ganhar” é o importante gera-se corrupção, trapaça e tudo em prol da existência de um vencedor e um perdedor.
Sim é uma arquitetura feia, mas como eu disse: “funciona perfeitamente” porque tem uma lógica que se todos conhecessem o mundo não funcionaria assim, mas já que a grande maioria do mundo está abaixo da linha da pobreza não tem condições de enxergar isso e se manifestar a putaria continua.
O homem foi alimentado com isso tudo e por isso se fez assim.

3. Sociedade livre

Nunca existiu, mas como ela seria? Ou melhor, já que o homem se faz por causa do contexto, como se formaria um homem nessa sociedade?
Com certeza o senso de responsabilidade social seria a principal marca dessa sociedade, pois ela só funcionaria assim, da mesma forma que o capitalismo só funciona com a desigualdade.
O humanismo seria recuperado sem atingir níveis antropocêntricos, pois o homem faz parte da natureza e não é seu senhor. Mas como essa consciência seria atingida? Através da mesma responsabilidade social que não deixaria a irracionalidade de destruir a natureza guiar o homem em função do progresso. O foco do ideal de vida seria deslocado para o bem estar de todos e não da dominação da natureza.
O respeito pelo outro viria através do senso de igualdade já que a dignidade do homem se encontra na liberdade, sendo assim retomo um pressuposto de Karl Marx: “o homem é um ser social” e por isso capaz de conter suas paixões e instintos para construir uma sociedade justa.
A violência não teria raízes para brotar e as principais potencialidades desenvolvidas seriam as necessárias para se viver.



A anarquia é muitas vezes vista como sinônimo de bagunça, caos e desordem, mas essas palavras não são mais nada que um reflexo do mundo contemporâneo capitalista onde até a própria lei não serve pra mais nada já que os EUA podem desobedecer ao órgão criado em prol da paz, a ONU. É clara a maneira como a lei se mostra ineficaz já que surgiu pra garantir as necessidades básicas do ser humano e não as garante em nenhum lugar do mundo para todos.
O capitalismo é sim uma verdadeira bagunça marcada por um ser humano mal desenvolvido que pode mudar apenas abrindo os olhos e constando que o capitalismo é pai das piores desgraças desse mundo: Escravidão, Nazismo, Guerras, Destruição do planeta etc.
Tentemos pelo menos uma vez expandir nossas consciências e enxergar a decadência do século XXI para que através de nossas ações diretas, nem que seja apenas divulgando textos como esse que só veicula um ponto de vista, possamos mudar um pouco a realidade tornando-a menos hipócrita e melhor para nos mesmos.
Todo coração é uma célula revolucionaria!

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