Lúcio Flávio Pinto: “Sempre combati o Jader Barbalho”

sexta-feira, 23 de setembro de 2011.

No artigo  Lúcio Flávio Pinto: A liberdade de imprensa é propriedade do dono, um suposto Vinícius Abreu disse, em comentário postado, que o jornalista nunca teria feito uma reportagem contra Jader Barbalho, deixando no ar dúvidas sobre a sua independência profissional.  Na pressa, foi liberado. Um erro nosso. Tanto que deletamos o comentário depois. Nossas desculpas sinceras a vocês, leitores do Viomundo, e, em especial, a você, Lúcio Flávio, que é um exemplo de jornalista para todos nós. Rastreamos o IP do suposto Vinícius, já sabemos que é de alguém da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).  Na segunda-feira, solicitaremos à UFMG a identificação do dono. Abaixo, a resposta de Lúcio Flávio. Ele mata a cobra e mostra o pau.
Meu caro: espero que você seja realmente Vinícius Abreu e não um apócrifo, e tenha escrito de boa fé, embora tudo que disse seja inverdade. E, ao ser dito de forma tão enfática, se caracterize como infâmia. Essa insinuante dúvida que você tem sobre a minha relação com Jader Barbalho podia ser desfeita sem maiores esforços. Bastaria colocar meu nome e o dele na busca do Google e examinar o que escrevi sobre o líder do PMDB do Pará.
De fato, temos – ele e eu – um passado comum em Belém e fomos amigos, antes de Jader se eleger governador pela primeira vez, em 1982. Ele, aliás, me convidou para participar de sua administração quando, já eleito, ainda formava sua equipe. Recusei. Disse-lhe que era jornalista e continuaria a ser apenas jornalista, como tenho sido, há quase 45 anos. E se ele errasse, me encontraria do outro lado, sempre. Ao receber a resposta, chamou um amigo comum, que viria a ser seu secretário da fazenda, e pediu a Roberto Ferreira para repetir o que lhe dissera antes da minha chegada. Roberto repetiu que Jader lhe disse: que iria me oferecer mundos e fundos, mas eu não aceitaria nada. E que era isso justamente o que queria: um crítico honesto e competente. É bom não esquecer que, nessa época, Jader ainda era considerado um político de esquerda, integrante da ala dos “autênticos” do então MDB,m e que liderara a oposição no Pará, apesar do acordo paradoxal (mas sem o qual não teria vencido seu adversário, apoiado pelo general Figueiredo, último dos presidentes do regime de exceção) que fez com o governador Alacid Nunes, um major que o movimento militar colocou no poder estadual, junto com o tenente-coronel Jarbas Passarinho, na época seu inimigo e, depois, aliado.
Pois eu continuei o jornalista independente que você põe em dúvida. Fui o único na imprensa que combateu Jader, a ponto tal que fui seguidas vezes ameaçado de morte por telefonemas anônimos. Um dia ligaram para a redação de O Liberal, onde eu também trabalhava. Sem se identificar, a pessoa disse para o diretor de redação, Cláudio Sá Leal: “prepara a manchete de amanhã: Lúcio Flávio assassinado”. O dono do jornal, Romulo Maiorana, o pai, me ligou dizendo que ia me mandar proteção. Agradeci a generosidade (que os filhos não herdaram) e recusei. Como Romulo insistisse em que eu me protegesse e à minha família. liguei para o assessor de imprensa do governador, também amigo comum, Guilherme Augusto Pereira, e disse-lhe que colocasse Jader em contato comigo. Quando ele de pronto me ligou, disse-lhe que estava escrevendo uma carta ao dr. Júlio Mesquita Neto, um dos donos de O Estado de S. Paulo, do qual era correspondente em Belém (e onde trabalhei por 18 anos contínuos), responsabilizando o governador por tudo que me acontecesse. Jader me pediu que não fizesse isso: “meus inimigos vão tentar me destruir”. Então lhe disse que tomasse as providências para desfazer a ameaça porque, sindicando, na condição de repórter, descobri de onde vinham as ligações anônimas. Ele pediu 24 horas de prazo e realmente agiu para eliminar a ameaça, conforme verifiquei, também agindo como repórter.
Se você se der ao trabalho de fazer trabalho idêntico, verificará que quase tudo que se escreve a respeito de Jader Barbalho me toma como fonte, através de entrevistas ou com base no que escrevo. Desde um pedido de CPI formulado em 1988 pelo PT para apurar venda de terras pelo então ministro da reforma agrária até um livro panfletário escrito por Gualter Loyola, por encomenda de Antônio Carlos Magalhães, que terçava armas com o então presidente do Senado (por pouquíssimo tempo em função desse confronto).
Já que você se diz paraense e conhecedor do Estado, pegue a coleção do Jornal Pessoal e volte aqui com uma matéria sobre Jader Barbalho que não tenha base em fatos ou que lhe sirva os interesses. O que não faço, como tem sido comum no Pará e no Brasil, é transformar Jader em espantalho, em demiurgo da corrupção, como se ela lhe fosse monopólio ou ele fosse o mais nocivo dos personagens, quando, mesmo ao lado de catões da plutocracia paulista, sempre desdenhosos dos que estão “no Norte”, a seu entendimento domicílio de tudo que não presta no país, há aves de rapina de muito maior envergadura.
Sempre que mato a cobra mostro o pau. Se quer vir à arena, estou aqui para medirmos nossas forças para ver quem é capaz de demonstrar a verdade a respeito do que escreveu, num texto tão cheio de veneno quanto carente de fundamento.
Faço estes esclarecimentos em homenagem aos meus leitores. Para você, deixo o meu desafio: prove o que disse.
Atenciosamente,
Lúcio Flávio Pinto


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