Anarquistas, graças a deus!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011.
Por Walter Hupsel
Meses atrás, a polícia de Londres emitiu um comunicado pedindo à população que denunciasse às autoridades os anarquistas que conhecesse. Além disso, requisitava também que denunciasse esses sujeitos malvados a todas empresas públicas ou privadas, ONGs etc... Que trabalham com segurança, contra-terrorismo e prevenção ao crime. Um pouco abaixo, no mesmo comunicado, pedia que a população reportasse se visse símbolos do radicalismo muçulmano, o que, em seu raciocínio, indicaria a presença de terroristas antiocidentais.
Quando do novo casamento real, a mesmíssima coisa, o mesmíssimo "grupo de anarquistas" foi objeto de preocupações das agências de segurança. Temiam que esses anarquistas tentassem tumultuar a grande festa do enlace real e mesmo que assassinassem os noivos (Me parece que os agentes policiais tiveram um viagem de ácido e voltaram a Sarajevo em 1914)
Agora, em Boston, nos EUA, a polícia local prendeu mais de cem manifestantes da onda de protestos que começou em Nova York, com o occupywallstreet (ocupem Wall Street — rua financeira de Nova York - e vem ocupando as ruas por todo os Estados Unidos). A desculpinha da polícia de Boston foi de que os organizadores dos protestos pediram para ela intervir, pois "anarquistas" tentariam "tomar o controle" dos protestos.
Por um lado, fico feliz, lisonjeado, com tamanha importância que os agentes de segurança têm dado aos anarquistas. Às vezes fico até tentado a acreditar que temos mesmo esse poder todo. É uma boa sensação, massageia o ego e dá esperanças. Por outro lado, um pouco mais racional, fico a pensar: o que faz com que tenham tanto medo dos feios, sujos e malvados anarquistas?
Tenho uma idéia, um pequeno palpite.
Há uma certa convulsão no mundo, uma certa revolta difusa e ainda confusa. São os jovens nativos de vários países que estão se levantando, ocupando ruas e praças. Sendo jovens, nativos, cidadãos, o argumento do inimigo externo não se encaixa. Não podem falar também que os soviéticos estão corrompendo a juventude com a drogas e incitando os filhos a se rebelarem contra os pais. Também acusar os muçulmanos é impossível.
Assim, sem esses estereótipos, e tentando fugir dos verdadeiros problemas e da compreensão do porquê destes protestos, culpam o "outro", de preferência o invisível. E os anarquistas cumprem este papel há tempos. Sinônimo no senso-comum de rebeldia sem causa, de arruaceiros pelo prazer da arruaça, culpar os anarquistas aparece no discurso como des-culpabilizar os verdadeiros gânsgsteres, os reais criminosos e arruaceiros, que não estão nas ruas de Boston, Nova York. Estão em Wall Street, mas dentro dela.
Com muito pesar tenho que admitir que os terroristas, os que bagunçaram o sistema internacional, os que levaram as pessoas às ruas, os verdadeiros "revolucionários" não são aqueles anarquistas, mas os engravatados de Wall Street e sua fantástica ganância.

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