O poeta, o morto e o louco

segunda-feira, 24 de outubro de 2011.


 
O Santo correndo feito louco


Na rua passeio o meu sonho
Corro eu mesmo na rua gritando
E cantando exponho por que sofro

Nu eu desço a ladeira
De pés descalços
Ou só de meias...
De meias Liberdades
De meias verdades
De meias maneiras
De meias canções
Que é pra não pegar resfriado

Quem da chuva sai sem ficar molhado?

Burburilar de pensamentos
Antro da decadência
Clemência...
Pra vossa eminência
Demência...
 Corpos em excremência

Urubus voltos
Aos vultos
Insulto!

Gargalhadas no ar
Pra quem falar?
Pra mudos?
Pra surdos?
Pra todo mundo?
Mundo...
Mundo...
Mundo...

O poeta louco do mundo das coisas
E das não coisas
E das farpas
E das frestas
E das flechas no peito

Gargalha com o sangue na boca
Medo se foi
Se foram os desejos
Se foram os ansejos
Se foram as riquezas
Se foram as realezas
Se foram os altares

E os Deuses?

O poeta louco está morto
E ainda sim gargalha
Morto com a bala do destino
Dos canhões
Das quilhas
Das ilhas
De Manhattan ou das Bahamas
Da civilização incivilizada
Daquele que ama e odeia
E reclama sobre a areia

Corpos, mais e mais corpos
E... copos
E... mortos
De fome
De frio
De amor
De sonhos

O poeta reclama
Reajam!
E gargalha...
Da própria cova

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