Kim Jong-il e as gracinhas da Folha

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011.

Por Altamiro Borges

O falecimento do líder norte-coreano Kim Jong-il serviu para a Folha fazer gracinhas anticomunistas no seu editorial de hoje (28). Ela nunca fez piadinhas nas mortes dos generais carrascos do Brasil, que a famiglia Frias sempre apoiou – inclusive cedendo as suas peruas para transportar presos políticos à tortura. Na sua visão colonizada, ela também nunca fez ironias no falecimento de vários ditadores apoiados pelos EUA. Mesmo na cobertura de óbitos, a Folha é seletiva na sua linha editorial!

Neste caso, a Coréia do Norte é um prato cheio para a histeria anticomunista. É um país complexo, que já sofreu várias tentativas de invasão imperialista na sua história, que vive sob brutal bloqueio econômico e que há cinco décadas permanece em estado de guerra, totalmente militarizado – com milhares de soldados sul-coreanos e estadunidenses estacionados em sua fronteira. A base militar ianque instalada no país vizinho conta com mais de 30 mil soldados armados com mísseis balísticos nucleares.

Modelos e dogmas da famiglia Frias

Neste contexto bastante adverso, a Coréia de Norte ergueu um modelo político, econômico e social contraditório e carregado de limitações. Com suas ironias grotescas, o editorial da Folha tenta vender a imagem de que este modelo é seguido pelas esquerdas brasileiras, principalmente pelo PCdoB. Ao estigmatizar a Coréia do Norte em plena solenidade fúnebre, a famiglia Frias procura estigmatizar todas as forças anticapitalistas com o seu anticomunismo rastaqüera.

Aprendendo com seus erros do passado, as forças de esquerda se esforçam para superar modelos e dogmas. Já a Folha, como fanática adoradora do “deus-mercado”, nunca fez autocrítica dos seus equívocos. Até hoje, ela mantém como modelo os EUA, a pátria da rapinagem, do saque e do militarismo. Até hoje, ela segue os dogmas neoliberais do desmonte do estado, da nação e do trabalho – apesar deste receituário regressivo e destrutivo ter jogado o capitalismo na mais grave crise da sua história recente.

A mente brilhante do Otavinho

A Folha faz chacota com a esquerda. “Não tomar Coca-Cola, abominar hambúrgueres e jamais pôr os pés na Disneylândia. Dentre os inúmeros sacrifícios que se pedem de um bom combatente anti-imperialista, exigências como estas são coisa de somenos”. No final, ela sugere uma reunião da direção do PCdoB para debater os fatos exóticos do falecido líder norte-coreano. Pura besteira, talvez “obrada” pela mente brilhante do Otavinho! As forças de esquerda têm coisas mais sérias para discutir sobre o futuro.

Como afirma em seu blog Renato Rabelo, presidente nacional do PCdoB, “ao contrário do que sugere a Folha, na última reunião do Comitê Central do PCdoB, procuramos fazer uma avaliação da nova situação mundial com o desenvolvimento da terceira grande crise sistêmica do capitalismo e consideramos como positivo, em suas linhas gerais, o ciclo político aberto com a posse de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, e continuado com a eleição de Dilma Rousseff, em 2010”.

Sem direito de defesa

“Duas tarefas principais se colocam agora diante dos brasileiros: avançar na defesa da economia do país para o enfrentamento da crise externa e o fortalecimento do mercado interno, e lutar para que nosso povo tenha o direito a exprimir o seu pensamento de forma democrática contra o monopólio exclusivo da mídia, capitaneada – entre outros órgãos – por esta mesma Folha de S.Paulo que nos ataca impunemente. Esta grande mídia, reacionária e conservadora, vem escolhendo o PCdoB como alvo de ataque, demonstrando com isso que este Partido a incomoda. Porém, como sempre, sem podermos ter o direito de defesa”.

Ao invés de fazer piadinhas de péssimo gosto sobre o falecimento do líder norte-coreano, a Folha deveria estar mais preocupada com a sua crescente perda de credibilidade e com sua queda permanente de tiragem. Do contrário, alguns poderão também fazer gracinhas quando da sua morte!

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