O dossiê Machida

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011.

Por Fernando Zanchetta
 Machida: nos mínimos detalhes
O potencial de melhor encontro estilístico da temporada 2011 é pleno. O brasileiro Lyoto Machida e o norte-americano Jon Jones disputam o cinturão meio-pesado (até 93kg) do UFC dia 10 de dezembro, no desafio em que estilos distintos e pouco ortodoxos dentro do MMA colidirão para valer.

Machida programou metodicamente o treinamento. Amparado e apoiado pelo governo paraense, provavelmente se dedicou ao camp mais detalhista da carreira. Houve um grupo com mais de dez profissionais para cuidar das especificidades físicas e técnicas em todas as áreas.
Praticamente cada detalhe, golpe, passo e transição é filmada, dissecada e melhorada. Houve a colaboração de nomes como Luiz Dórea (renomado treinador de boxe de Júnior Cigano dos Santos, campeão peso pesado) e King Mo Lawal (wrestler ex-campeão do Strikeforce).
Mas o grande problema pode estar guardado justamente no excesso de zelo tático característico do estilo do carateca. Machida é considerado um dos grandes estrategistas do esporte, o que muitas vezes também pode funcionar como faca de dois gumes.
A espontaneidade escassa e  consequente overdose estratégica atrapalharam o Dragão (trecho removido pelo blogueiro) paraense de forma mais acentuada em duas oportunidades no UFC.
Contra Maurício Shogun Rua, no UFC 104, no primeiro dos dois desafios travados entre ambos até agora. Dono de padrão de movimentação evasivo único e contragolpeador, Machida perdeu a meada tática com as constantes quebras de ritmo proporcionadas pela agressividade do adversário, o que culminou em cinco rounds complexos, de definições variáveis e que terminaram após decisão favorável por pontos para Machida, severamente contestada e até hoje lembrada como polêmica.
Depois, contra Rampage Jackson, no UFC 123 (novembro de 2010), o novo desequilíbrio defensivo/ofensivo e a preocupação desmedida em pontuar nos três assaltos custou a vitória na decisão dividida. Foi também o início do período nebuloso e de desentendimentos com o presidente Dana White.
Jon Jones certamente é um caso à parte e merece todo cuidado. Porta voz da nova geração é famoso pelo estilo versátil, amalucado e eficiente. Machida terá de se concentrar de forma redobrada para não perder o controle das ações e da adrenalina durante os 25 minutos em disputa. Será, com certeza, o maior quebra-cabeças da carreira do Dragão. O grande desafio será encontrar o equilíbrio necessário para convencer e não ser convencido.  Detalhismos podem estar guardados em sentido dúbio. É esperar para ver (e crer!).
Concorda?

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