Merdas Nada Originais

terça-feira, 3 de janeiro de 2012.
 “Com o tempo a gente aprende” esta é uma das frases contidas no belíssimo texto atribuído a William Shakespeare O Menestrel que descobriu-se depois que o texto em si foi escrito por Verônica Shoffstall que quis dar audiência ao texto atribuindo a autoria a um escritor famoso, bom... mas isso não importa muito para o que vou escrever aqui (se vocês quiserem saber mais é só acessar aqui:http://nacanelada.blogspot.com/2009/06/shakespeare-nao-escreveu-o-menestrel.html) o que importa é que a frase acima é muito real, as vezes extrapola a realidade concreta, digo isso porque alguma horas antes da virada fiquei revoltado com algo que publicaram lá pelas bandas do facebook, entrei na Page para encontrar alguns amigos e desejar feliz ano novo e tal, mas no que estou lá viu uma publicação de um perfil chamado “merdas originais” que me tirou do serio, fiz até um comentário duro na publicação, por se tratar de um preconceito idiota (se é que exista um que não é) contra uma parcela da sociedade que sofre muito com isso, na postagem mostrava uma gordinha e um rapaz se beijando e em cima dizia “beba com moderação” a intenção era que fosse cômico, engraçado, mas como eu disse no comentário abaixo da foto não vejo nada de engraçado nisso, abaixo a foto da publicação:

Na verdade isso me lembrou das minhas aulas de história e a reflexão sobre o culto ao corpo, nem sempre o modelo de “beleza” foi este de mulheres cada vez mais magras e corpos cada vez mais “finos” e esculturais (eu prefiro fino que magérrimo), na verdade no século XV o Renascimento foi o tempo em que se valorizou as mulheres mais gordinhas, alguns fatores contribuíam para isso, como: a crença de que mulheres mais cheinhas eram melhores para ter filhos, quadris largos e tudo mais; Entram neste contexto as formas de corpos arredondados e de dimensões avantajadas; como esta época é de algumas doenças infecto contagiosas que poderiam matar acreditava-se que o sobrepeso ajudaria a dar resistência ao corpo para resistir e suportar-las (minha avó acha isso ainda hoje); A gordurinha a mais era vista como um fator que ajudaria a proteger o corpo do frio aquecendo-o; seios fartos para amamentar bem os filhos; Enfim, as gordinhas eram vistas como mães em potencial e capazes de suportar as dores do parto, digo sobreviver a ele.
Com o advento da industrialização estes padrões estéticos passaram por uma mudança, primeiro com a disciplina imposta ao corpo e depois com a valorização de corpos cada vez magros e leves para o trabalho. Em suma o que se pode dizer é que a estética do corpo magro é próprio do ocidente e é por isso que todos prosseguem este modelo, como esta estética da beleza inclui tendência e cultura todos aqueles que estão fora deste rol dos não magros são “chamados” a aderir a estética vigente, é o que chamamos de coerção que se utiliza de todo um aparelhamento para isso, a mídia, a industria da moda e todo o sistema do capital, daí surgem as piadas, as pressões, as brincadeiras de mau gosto entre familiares,  amigos e companheiros de trabalho e de pessoas como o autor do “merdas originais”.
Agora explicando o motivo de minha revolta, não acho que uma pessoa mais magra ou mais gorda vá necessariamente ser mais ou menos feliz e se uma pessoa estiver com a saúde em dia tanto faz se ela tem ou não sobrepeso, todos nós magros ou gordos podemos ser felizes do nosso jeito, do jeito que somos e sem essa que o cara na foto não sabia o que fazia. Eu adoro gordinhas e daí.
Outra coisa, o estereótipo do corpo perfeito vem acarretando distúrbios psicofísicos nuca vistos em outros tempos na história ocidental, estam aí a anorexia e a bulimia que não me deixam mentir.
Só como fator de curiosidade, um dos ícones utilizado pela industria da beleza para incutir na cabeça das meninas desde pequenas que elas devem ser magras é a boneca Barbie e sabe que fizeram um replica com as mesmas dimensões em tamanho real e sabe no que deu:

Conclusão a Barbie se existisse seria anoréxica.
Que me desculpem as magras, mas como diz minha vó "mulher tem que ter sustancia" e Viva as Gordinhas!
Espero que quem escreve estas coisas lá no face aprenda com o tempo.

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