Queda de braço entre Governo e a briosa se acirra. Mas é amostra grátis do que pode vir por aí.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012.
Na noite de ontem, a PM decidiu em Assembléia Geral que esperaria por uma nova rodada de negociações com o Governo, marcada para as 9 da manhã de hoje, antes de decretar ou não a greve geral.

Pouco depois, porém, efetivos de pelo menos três batalhões – Icoaraci, Marituba e Ananindeua – paralisaram as suas atividades. E o estado inteiro amanheceu num mar de informações desencontradas, já que, aparentemente, a greve branca dos quartéis assume proporções bem maiores que as admitida pelo Governo, em nota da Segup (leia ao final).

Hoje, no começo da manhã, a Secom, a secretaria estadual de Comunicação, informava ao Diário Online (http://www.diarioonline.com.br/noticia-184153-militares-protestam-e-pedem-reuniao-com-o-governo.html ) que o Governo não havia agendado nenhuma reunião com a categoria.

E isso apesar de ter sido um telefonema do Governo que, segundo representantes da Associação de Cabos e Soldados, levou a PM a suspender a Assembléia Geral de ontem, para aguardar pela nova rodada de negociações, embora permanecendo em estado de greve (leia a matéria anterior da Perereca).

Como previsto, centenas de policiais se aglomeravam desde cedo na porta do CIG, o Centro Integrado de Governo, na avenida Nazaré.

Mas com a negativa do governo de que houvesse reunião agendada, os tenentes-coronéis Noura, da Casa Militar do Palácio dos Despachos, e Osmar, da Assembléia Legislativa, tentavam marcar para outro dia a nova rodada de negociações. 

Os PMs, porém, protestaram e não arredaram pé do CIG – e o governo teria, inclusive, acionado o Pelotão de Choque, que, no entanto, se recusou a investir contra os próprios camaradas (eheheh).

Daí que circulem boatos na internet de que integrantes de dois pelotões do Batalhão de Choque estariam amargando prisão administrativa – fato que é desmentido pelo Comando da PM. 

Todo esse estica-encolhe fez com que a nova reunião entre o governo e os representantes dos semigrevistas só começasse no finalzinho da manhã – e a negociação, a portas fechadas, ainda está a rolar, segundo os portais das ORM e do DOL.

Mas do governador Simão Jatene, que se esperava que estivesse presente na reunião de hoje, não há sinal: os integrantes da briosa acabaram recebidos apenas pelo secretário de Segurança Luiz Fernandes e pela secretária de Administração (Alice Viana), com os quais, aliás, já vinham negociando; e pela chefe da Casa Civil, Sofia Feio.

Como o inteligente leitor da Perereca já percebeu, o que há, desde ontem, é o acirramento da queda de braço entre o Governo e a PM do Pará.

E é nesse contexto que se inserem a guerra de informações, inclusive nos blogs e redes sociais, e a greve branca de alguns batalhões: tudo é amostra grátis do que pode vir pela frente, caso fracasse a nova rodada de negociações.

Simplesmente, de nada adiantará acionar o jornalismo chapa-branca, para “queimar a foto” dos possíveis grevistas perante a opinião pública, como aconteceu com os professores; nem ameaçar com isso ou aquilo: um simples dia de greve da PM num estado como o Pará, será, certamente, a antevisão do inferno.

Há dois blogs que acompanham de perto o desenrolar dos acontecimentos.
O primeiro é o Saiba das Coisas: http://saibadascoisas.blogspot.com/

O segundo é o Boca de Jambu: http://bocadejambupaidegua.blogspot.com/

Gostaria de fazer uma postagem sobre os bastidores dessa queda de braço, mas estou muito, mas muito enrolada desde cedo e, agora, preciso, desesperadamente, sair.

Leia a nota da Segup, que roubei do Saiba das Coisas:

“Com relação às negociações para o reajuste salarial dos policiais e bombeiros militares, a Secretaria de Estado de Segurança Pública informa que:
1)   Dentro do limite que é possível  oferecer sem ferir a Lei de Responsabilidade Fiscal o Governo do Estado apresentou proposta de reajuste que eleva os salários dos soldados para  R$ 2.128,80. Com o reajuste, as tropas paraenses passarão a ter o oitavo maior salário pago a policiais militares no Brasil.
2)  Há uma clara disposição do governo em negociar com os militares por reconhecer a importância e a responsabilidade do trabalho desempenhado por estes servidores, tanto que uma mesa permanente de negociação foi criada para discutir, a partir de março, outros pontos previstos na pauta de reivindicação como auxílio moradia, auxílio alimentação e gratificação por risco de vida.
3)  Apenas os batalhões de Icoaraci (10º), Marituba (21º) e Ananideua (6º) decidiram manter a paralisação de advertência, mesmo após a decisão tomada em assembleia de manter-se apenas em estado de greve até nova negociação.
4) Nos batalhões de Icoaraci e Marituba a paralisação durou poucas horas e o trabalho começou a ser retomado por volta de meia-noite.
5) Para evitar descontinuidade de policiamento e manter a segurança dos cidadãos nas áreas onde houve paralisação, a Polícia Civil foi deslocada para as ruas, junto com as Tropas de Missões Especiais da PM e com dez viaturas do Conselho de Segurança Pública do Meio Norte (Conen).
6) O Delegado Geral de Polícia Civil, Nilton Atayde, o  Delegado Geral Adjunto, Riomar Firmino, o Comandante geral da Polícia Militar, coronel Daniel Borges Mendes e todos os comandantes de batalhões da Região Metropolitana de Belém também estão nas ruas para assegurar a tranquilidade da população.
7) O Governo do Estado reafirma seu posicionamento pela negociação amigável com a categoria e, como foi colocado na última reunião acontecida na última terça-feira (17), garante que em nenhum momento haverá retaliações aos integrantes do movimento ao contrário do que vem sendo divulgado na imprensa.

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