“Queria querer gritar Setecentas mil vezes Como são lindos Como são lindos os burgueses E os japoneses Mas tudo é muito mais...”

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012.
Eita! E olha que em 1984 não tinha como Caetano descobrir Santa Izabel do Pará, mas de certa forma parece que este teve uma visão, sim uma premonição deste malfazejo futuro que iríamos trilhar em idos de 2012 e quem disse que não é possível um raio cair duas vezes no mesmo lugar não conhece o Pará ou mais exatamente Santa Izabel do Pará.
Gostaria de saber quem foi o “grande” estrategista político que do alto do Palácio resolveu escolher uma figura com as mesmas características do atual gestor; tipológica, fenotípica, fisiológica e política para concorrer a essas eleições que serão, a meu ver, a mais divertida de todos os tempos. Mas se contarmos uma vez parece que ninguém acredita, então vou contar a primeira vez e depois conto de novo, certo... Dentre as características do gestor ou da gestão atual posso destacar algumas que o trouxeram conquistas, entre outras coisas a reeleição: 1 – subserviência ao empresariado local, mas não é o pequeno empreendedor ou o que começou um negocio agora, são aqueles que estão sempre lá tramando e planejando quem é que eles colocarão no Palácio para servi-los sem muitos incômodos 2 – já faz tempo que não temos um líder carismático e isso também falta e é necessário compensar e como se faz isso? Simples você dá uma “ajuda de custo” aqui e mais um “agrado” aos vereadores ali (e, diga-se de passagem, todos são da base do governo, até os que foram eleitos como oposição, como pode?) e “conhece” e faz muitos “amigos” no judiciário local e pronto tá resolvido 3 – Coragem, esta é sem duvidas uma das qualidade que tem o nosso gestor que o fez ser reeleito, a grande maioria e inclusive a oposição não teriam a coragem que ele teve de entrar em locais onde foi ameaçado até de jogarem ovos, partir para agressão física e outras travessuras que qualquer um ficaria no mínimo receoso de enfrentar, mas ele foi lá e visitou os que o “odiavam” e fez muitos mudarem de opinião 4 – conseguir um trunfo a seu favor e em desfavor de alguns “inimigos” foi sem duvidas uma carta na manga que fez com que o Palácio mantivesse muitas pessoas de bico calado e com o qual a tal “moral” de alguns caiu quando eles mais precisaram para combater os arquitetos palacianos 5 – fico por aqui mesmo, neste quinto ponto apesar de ter feito um levantamento de quase trinta pontos acho que esses são os pontos centrais para esta postagem, pelo menos. Então, o quinto ponto é saber utilizar o período histórico por qual passamos foi fundamental para a reeleição do projeto palaciano, com o governo federal e estadual alinhavados em um mesmo projeto que recebia apoio dos PMDEBISTAS não foi difícil ao governo municipal receber o apoio necessário para tocar varias mudanças e para instalar vários projetos dos dois governos aqui, não é a toa que durante os dois últimos anos do primeiro mandato que recebeu o prefeito conseguiu adquirir estrutura para o governo que nenhum outro prefeito sonhara.
Até aqui do que nós discutimos um pouco e sabemos que o empresariado já sentou e barganhou com o palácio, que política não é miojo e em não sendo instantâneo quem pede apoio recebe pedidos de trocas de favores futuros e que a turma daqui não foi nada humilde pedindo cabeças em bandejas para encher um pouco mais os seus egos.
O momento seria altamente favorável ao palácio não fosse à baixa popularidade do prefeito e o descontentamento com a figura caricata do gestor ou do tipo de gestão vai com toda certeza deixar os articuladores políticos desta campanha em uma boca de sinuca complicada, mas como demonstrou a campanha de 2008 nada é impossível.
Outra situação que o palácio terá dificuldade em resolver é a questão dos comitês de campanha, vimos inclusive nas eleições para governo do estado vários comitês sendo formados, apesar de isso não ter atrapalhado a campanha para governo aqui, é complicado para a situação que vem com um projeto que está sendo testado a oito anos se dividir como já está acontecendo. Tem mais... tentar descolar a imagem das duas figuras creio não surtirá tento efeito assim, pois a história das eleições tem demonstrado que se você tenta desconstruir as marcas de uma gestão que não lhe são “proveitáveis” os efeitos colaterais podem ser devastadores.
Bom, enfim... no mais do mais é isso. Ainda não é toda a minha análise, mas é o começo dela e a partir de agora vamos aos poucos debatendo os perfis dos candidatos ao Palácio Capitão Noé de Carvalho Faltam pouco mais de nove meses para as eleições e teremos tempo ainda para descobrir se o candidato escolhido pelo Palácio conseguirá preencher os pontos citados nesta postagens ou se teremos uma campanha diferente em numero, gênero e grau por parte dos dito cujos (o que eu não acredito que ocorra), bem é isso.
OBS: como eu citei o trecho da música não poderia deixar vocês sem ouvi-la por inteiro, aí vai Podres Poderes de 1984 na voz de Caetano Veloso:


Podres Poderes
Caetano Veloso

Enquanto os homens exercem
Seus podres poderes
Motos e fuscas avançam
Os sinais vermelhos
E perdem os verdes
Somos uns boçais...
Queria querer gritar
Setecentas mil vezes
Como são lindos
Como são lindos os burgueses
E os japoneses
Mas tudo é muito mais...
Será que nunca faremos
Senão confirmar
A incompetência
Da América católica
Que sempre precisará
De ridículos tiranos
Será, será, que será?
Que será, que será?
Será que esta
Minha estúpida retórica
Terá que soar
Terá que se ouvir
Por mais zil anos...
Enquanto os homens exercem
Seus podres poderes
Índios e padres e bichas
Negros e mulheres
E adolescentes
Fazem o carnaval...
Queria querer cantar
Afinado com eles
Silenciar em respeito
Ao seu transe num êxtase
Ser indecente
Mas tudo é muito mau...
Ou então cada paisano
E cada capataz
Com sua burrice fará
Jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades
Caatingas e nos gerais
Será que apenas
Os hermetismos pascoais
E os tons, os mil tons
Seus sons e seus dons geniais
Nos salvam, nos salvarão
Dessas trevas e nada mais...
Enquanto os homens exercem
Seus podres poderes
Morrer e matar de fome
De raiva e de sede
São tantas vezes
Gestos naturais...
Eu quero aproximar
O meu cantar vagabundo
Daqueles que velam
Pela alegria do mundo
Indo e mais fundo
Tins e bens e tais...
Será que nunca faremos
Senão confirmar
Na incompetência
Da América católica
Que sempre precisará
De ridículos tiranos
Será, será, que será?
Que será, que será?
Será que essa
Minha estúpida retórica
Terá que soar
Terá que se ouvir
Por mais zil anos...
Ou então cada paisano
E cada capataz
Com sua burrice fará
Jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades
Caatingas e nos gerais...
Será que apenas
Os hermetismos pascoais
E os tons, os mil tons
Seus sons e seus dons geniais
Nos salvam, nos salvarão
Dessas trevas e nada mais...
Enquanto os homens
Exercem seus podres poderes
Morrer e matar de fome
De raiva e de sede
São tantas vezes
Gestos naturais
Eu quero aproximar
O meu cantar vagabundo
Daqueles que velam
Pela alegria do mundo...
Indo mais fundo
Tins e bens e tais!
Indo mais fundo
Tins e bens e tais!
Indo mais fundo
Tins e bens e tais!

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