Entendam O Que É Ser Izabelense

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012.
Não, eles não sabem... Como eu posso querer justificativa de quem não sentiu a emoção que nós sentimos ao ouvir no radinho de pilha sintonizado na clube do Pará o grito emocionado de um locutor que do outro lado transmitia em polvorosa cenários de um Atlético Clube Izabelense brigando de igual para igual com Paysandu e Clube do Remo, um time que não levava desaforo para casa. Como, me diga como cobrar de alguém que não sentiu na pele o que nós sentimos. Todos os dias ao ver apenas fantasmas de uma lembrança que hoje apenas lutaremos para que não se perca. Uma infância, adolescência e parte de um adulto que visualizava as recordações vivas das marcas de nosso maior bem feitor o intendente Antonio Lemos, a ponte Tibiriçá se foi. Não há como entender a frieza dos que aqui passam quando nos ouvem falar de um tempo que parece não voltará mais, das grandes competições disputadas por nossas fanfarras Fandol (Doracyr Leal) e Ceal (Antonio Lemos) que levavam o público ao delírio quando se encontravam nos grandes eventos disputados aqui e fora do estado.
Do nosso calendário... Lembro que em fevereiro era aquele alvoroço, todos se preparando para ver, ouvir e sentir na pele a passagem emocionante da ESCOLA DE SAMBA Égua  de Nós, que tanto me dói no coração ver reduzida a bloco carnavalesco, não era só agitar o público era levar a avenida as nossas raízes, o nosso orgulho e o nosso brio de ser quem somos, lembro de um enredo, que tanto nos fez cantar, que dizia Amar a todos/ rua Mata Bacelar/ A história dos índios da Tribo Tupinambá. Quem irá compreender? Senão quem aqui estava quando o Hospital e Maternidade Santa Izabel era exemplo de atendimento em saúde pública, servindo como referencia na Região Metropolitana de Belém.
Não, não irão diminuir o brio e a lembrança ficará para sempre das viagens de busão que fazíamos aos fins de semana a Caraparu, o frio na barriga que dava aquelas subidas e descidas emocionantes em um andar de gangorra que só sabe quem viveu isso, e o rio Caraparu? Ah... Como tinha peixe. Pedalar a qualquer hora do dia até o igarapé Mãe do Rio só para dar um pulo da ponte e ir buscar uma pedrinha no fundo, e como era fundo, hoje não mais. As margens foram destruídas e o igarapé a cada dia que passa assoreia mais e mais.
Muitos irão me dizer que sou Bairrista, que estou me prendendo ao passado e que os tempos mudam, a eles a única coisa que posso dizer, no pouco raciocínio que ainda me resta, é que somos nós os senhores do tempo e a mudança seja para o bem ou para o mal quem decide somos nós, podemos resgatar nossas memórias, nada, absolutamente nada está perdido nós temos as mãos que fizeram toda esta história é só por elas para funcionar.
Uma das coisas que meu finado pai conhecido pelos populares daqui como Qualhada nos ensinou muito bem foi a ter orgulho de dizer de onde somos e ter respeito e admiração por nossa história, por isso quando perguntam não dou tempo para duvidas: - Sou IZABELENSE! Faço esta postagem em prantos ao ouvir o “hino” que será levado para a avenida pela escola de samba égua de nós neste 2012, fala adivinhem sobre o que? Nossas memórias sobre o manto da Ponte Tibiriçá. Sem saber quando essas lágrimas vão secar, sem que nenhuma outra venha reduzir de novo o nosso orgulho de ser quem somos: IZABELENSES!
Este ano, depois de quase dez anos, quando criança sai na escola de Samba Égua de Nós, volto para a avenida vestido e com muito orgulho para não calar e fazer serem ouvidas as vozes de protesto dos verdadeiros cidadãos Izabelenses. Vou vestir de novo a camisa da Égua de Nós e tenho certeza que muitos dos que aqui não estão mais como seu Mazinho, como o seu Qualhada, como seu Lução e tantos outros estarão orgulhosos ao nos ver aqui lutando para que isso não morra.
Sou Izabelense, Sou Tiago Sousa, Sou Filho do Qualhada, Sou Frangão da Estrada, Sou Fandol, Sou Tibiriçá e Sou Égua de Nós!

OBS: Uma pequena observação aos nossos “governantes”. Não Tripudiem em cima da memória de um povo, vocês não têm esse direito!

3 Comentários:

::::FER:::: disse...

Oi amigo. Que pena não tenho conhecimento de causa para comentar sobre teu texto.

Prof. Adinalzir disse...

É isso ai! Parabéns aos izabelenses e aos paraenses! Faltou por ai no blog uma foto do Atlético Clube Izabelense jogando, rsrs. Abraços! :-)

Blog do Tiago Sousa disse...

Fernando tem problema não.
Professor Adinalzir a gente tem por aqui um blogueiro que conta bem a história do Frangão da estrada lá no blog dele, até porque ele já foi jogador do Izabelense, se quiser conhecer é esse o link:
http://bloglinoliveira.blogspot.com/

 
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