A leitura como uma aventura literária inesquecível

domingo, 26 de fevereiro de 2012.
Por Rogers Silva
 
Muito se discute sobre os motivos da pouca (em quantidade e qualidade) leitura no Brasil. Alguns, inclusive, apontam uma crise da leitura. Outros, por sua vez, afirmam categoricamente que o número de leitores no país aumentou substantivamente nos últimos anos (afirmação baseada no aumento da vendagem de livros). Mas... será? Independente de quem esteja certo ou errado, este texto se propõe a discutir sobre as possíveis causas da pouca leitura no Brasil e algumas estratégias para diminuir esse problema (que alguns, sobretudo os reacionários, não vêem como problema, mas sim como solução, especialmente para os seus propósitos).
Em primeiro lugar é possível afirmar que, sem medo de errar, para que a leitura seja eficaz ela deve ser estimulada lá atrás, ainda na infância. E como nem sempre isso acontece, o país acaba crescendo sem curiosidade, vontade ou competência para ler. Ou seja, a própria relação que o adulto (não) possui com a leitura implica na relação da criança com a leitura. E como o adulto no Brasil não possui grandes vínculos com ela (de literatura, então!), é fácil entender porque a criança, o pré-adolescente, o adolescente e o jovem não têm lá muito interesse por livros.
Abaixo três alternativas (estratégias) discutidas e propostas por muitos especialistas:
A escolha do livro: não se deve, de maneira alguma, impedir leituras ditas inapropriadas (best-sellers, por exemplo). É preciso, sim, orientar a criança em suas leituras, respeitando sempre suas vontades. Deve-se, assim, preparar a criança para o mundo através das leituras, mostrando e criando oportunidades que desenvolvam seu senso crítico, pois um bom leitor torna-se um pensador. E o país necessita, e muito, de pensadores, e não apenas de repetidores de pensamentos alheios.
O livro como lazer: encarar a leitura, a princípio, como prazer (lazer, entretenimento) é mais fácil para que ela se torne um hábito, o que nem sempre acontece quando ela é tratada de maneira tradicional, obrigatória, com as famigeradas posteriores avaliações. Alguém ainda duvida disso? Duvido que duvide.
Informação e arte: enquanto a primeira é denotativa, a segunda é conotativa e, como a literatura é uma arte (a arte das palavras), é preciso trabalhá-la de forma acessível, dando liberdade de interpretação às crianças. A criança possui seu próprio cérebro e, acreditem!, ele é capaz de pensar.
Já que estamos falando de crianças, falemos então das...

Características da obra literária infantil
1) Aquele que se dispõe a ler, sugerir, trabalhar com a obra infantil, não deve de forma alguma diminuir seu valor frente à obra dita adulta. São gêneros diferentes: os públicos, a linguagem, os propósitos são distintos. Ao contrário do que se pensa, é possível sim aliar simplicidade e complexidade (vide A bolsa amarela, de Lygia Bojunga Nunes). O mesmo (mas ao contrário) acontece em livros para adultos: muitos conseguem ser herméticos e medíocres ao mesmo tempo.
2) As ilustrações, claro está, podem ajudar a criança a entender a obra, sobretudo a que porventura não sabe ler. Essas ilustrações devem dar margem à imaginação, à recriação, transcender o próprio desenho. Porém, na medida em que a criança cresce, as ilustrações diminuem e, por outro lado, as palavras aumentam (em quantidade, e não em tamanho). OBS.: Desenhos que traduzem exatamente o que o texto está dizendo, desenhos que não dizem nada em relação ao texto são equívocos que devem ser evitados – essa é uma grande preocupação dos especialistas em leitura e literatura infantil e infanto-juvenil.
3) É óbvia a afirmação, mas, ainda de acordo com os especialistas, as editoras devem se preocupar com o tipo de papel, capa e forma de acabamento da obra, pois são aspectos muito importantes do livro infantil.
4) A indústria cultural afeta enormemente os tipos de livros lançados. Os adultos, muitas vezes, não considerando a criança, impõem-lhe valores e dominam o discurso literário. É preciso que os adultos que queiram estimular a leitura em crianças tenham consciência que cada idade possui suas características, suas limitações e suas visões de mundo. E há livros para tudo quanto é gosto.
Por outro lado é importante...

Ler os clássicos
Clássicos são obras que, por vários motivos (sobretudo pela sua qualidade e profundidade inquestionáveis), se tornaram cânones e que, atualmente, ainda são dignas de apreciação e estudo. Ler um clássico na idade adulta, mesmo que lido na juventude, é sempre uma nova leitura, uma descoberta. O texto é o mesmo, mas a mentalidade e o amadurecimento do leitor se modificaram, e por isso que em toda releitura há uma nova visão, novas descobertas, coisas a serem apreendidas. Clássico é o livro que não se esgota. É importantíssimo lermos e sugerirmos clássicos a jovens leitores, pois autores como Machado de Assis, Cervantes, Shakespeare, Sófocles, Balzac, entre outros, são a base da literatura universal.
No entanto, para as crianças (ou pré-adolescentes, ou adolescentes) é mais sensato a sugestão/indicação/leitura dos clássicos adaptados (ou dos clássicos da literatura infantil), porque somente com o entendimento do que está sendo li(n)do é possível embarcar na...

Aventura literária
E por falar em aventura literária, sabe-se que na literatura infantil e infanto-juvenil brasileira o clássico dos clássicos é o escritor Monteiro Lobato, que consegue ser ao mesmo tempo de leitura prazerosa e crítico, de alta literariedade, questionador. Monteiro Lobato instiga o leitor a questionar valores da época e de agora. Diversão garantida! Aprendizado, idem. Eis a derradeira sugestão deste texto: ao invés de comprar batom, LEIA Monteiro Lobato. A aventura será inesquecível.
 

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