Giovanni Queiroz volta à carga, pede intervenção federal no Pará, critica o Judiciário e chama Jatene de "fantoche"

terça-feira, 6 de março de 2012.
O deputado federal Giovanni Queiroz (PDT/PA) ocupou a tribuna da Câmara Federal nesta sexta (2) para fazer mais um dos seus inflamados discursos. Ao comentar a última colocação obtida pelo Pará no Idsus, índice que mede a eficiência do Sistema Único de Saúde, Giovanni não poupou críticas ao governador tucano do Pará, Simão Jatene, que o deputado considera "um fantoche".
Giovanni lembrou que o Pará consegue ser o pior em educação, estradas e agora, na saúde.
Justificando sua indignação, Giovanni disse que o discurso do governador afirmando que pretende atrair novos investimentos nacionais e internacionais para o Pará, esbarra na insegurança jurídica. "Agora (o governador) fala em atrair investidores internacionais e nacionais para o Pará, quando as próprias plataformas industriais, as áreas onde seriam implantadas indústrias no Estado, por exemplo, em Barcarena, estão invadidas! Da ALBRAS à ALUNORTE e à Vale do Rio doce. Invadidas! E não se cumpre ordem judicial,...", disse Giovanni.
O deputado lembrou do recente plebiscito que visava a criação dos estados do Carajás, Tapajós e Novo Pará. Giovanni afirmou que a criação dos novos estados "seria a forma de transformação efetiva, a alavanca para transformar efetivamente o Pará".
Segundo ele, a pequenez dos políticos belenenses foi responsável pela derrota da ideia entre eleitorado do Novo Pará. "Mas a mediocridade imperou graças aos políticos tamanho pequeno, tupiniquim que permanecem em Belém do Pará, dominam a mídia e por isso influenciaram a população desavisada", disse Giovanni.
O pedetista voltou a pedir a intervenção federal no Pará, com o objetivo de fazer cumprir as centenas de mandados de reintegração de posse expedidos pela Justiça.
Mas o Poder Judiciário, também, não foi poupado por Giovanni. "Nem o Poder Judiciário de lá tem coragem, tem austeridade. Deveria ter zelo por si mesmo e exigir o cumprimento pelo menos das suas ordens judiciais. O Poder Judiciário está de joelhos, acovardado, amesquinhado por incompetência, por negligência e por preguiça, por não ter compromisso com a Justiça efetivamente.", afirmou o deputado.
Leia a seguir a íntegra do pronunciamento de Giovanni Queiroz, de acordo com publicação do jornalista Val-André Mutran Pereira, direto de Brasília:


O SR. GIOVANNI QUEIROZ (PDT-PA. Como Líder. Sem revisão do orador.) - Sra. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho novamente falar, com pesar — com pesar — , de um anúncio já feito pela mídia. O Pará mais uma vez, na medição do ENEM da Saúde, está em último lugar, é o Estado com a pior nota. Na Educação já era o Estado com a pior nota. E suas estradas são as piores do Brasil.
Sra. Presidente, é com muito pesar que venho aqui fazer esse relato. E lamento ainda mais. Há poucos dias havia um remédio extraordinário para transformar o Pará, com o potencial extraordinário que tem, em um dos Estados mais vigorosos do País. A exemplo do que aconteceu com Tocantins e Goiás e Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, nós também tínhamos o direito de dar ao nosso povo a condição de respirar, de aspirar a transformações efetivas para a concretização de um Estado melhor, onde nosso povo pudesse viver com segurança.
Mas, Presidente Amauri, nós somos os piores na Educação; agora, no ENEM da Saúde, nós somos os piores; além disso, é anunciado pelos jornais do Brasil inteiro, o Jornal Nacional, inclusive, que nossas estradas são as piores. Segurança jurídica não existe. Lá só há um Governador que é um fantoche. Chega a ser ridículo! Agora fala em atrair investidores internacionais e nacionais para o Pará, quando as próprias plataformas industriais, as áreas onde seriam implantadas indústrias no Estado, por exemplo, em Barcarena, estão invadidas! Da ALBRAS à ALUNORTE e à Vale do Rio doce. Invadidas! E não se cumpre ordem judicial, Deputado Agnolin. O Pará não é como o seu Estado, o Tocantins, que é pujante, crescerá este ano 14%. O Pará deve ir para um processo de regressão.
Agora, nós estávamos um dia desses num plebiscito para se criarem os Estados de Carajás e Tapajós. Seria a forma de transformação efetiva, a alavanca para transformar efetivamente o Pará. Mas a mediocridade imperou graças aos políticos tamanho pequeno, tupiniquim que permanecem em Belém do Pará, dominam a mídia e por isso influenciaram a população desavisada. Disseram que dividir o Estado e criar duas novas unidades seria um crime de lesa-pátria. Mas aproximadamente 92% da população do sul do Pará, região de Carajás, e do oeste do Estado, região do Tapajós, se manifestaram favoravelmente, porque têm clareza de que esse é o único instrumento capaz de nos tirar do atraso, da miséria e da vergonha de constantemente estarmos vendo na mídia nacional e internacional o Pará classificado como o pior nas estradas, o pior na Educação, o pior na Saúde. Está morrendo gente nas filas; crianças nos hospitais! Até quando? Até o Governo Federal criar juízo e interferir no Pará no sentido de criar novos Estados ou fazer a intervenção necessária para — já começando por aí — fazer cumprirem-se as ordens judiciais.
Nem o Poder Judiciário de lá tem coragem, tem austeridade. Deveria ter zelo por si mesmo e exigir o cumprimento pelo menos das suas ordens judiciais. O Poder Judiciário está de joelhos, acovardado, amesquinhado por incompetência, por negligência e por preguiça, por não ter compromisso com a Justiça efetivamente.
Portanto, faço aqui este desabafo, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados. O meu Estado, o Pará, é um Estado de gente muito boa e com potencial extraordinário, mas lamentavelmente ainda é governado por gente pequena, com a cabeça deste tamanhinho, tupiniquim.
Muito obrigado pela tolerância, Sr. Presidente.
Durante o discurso do Sr. Giovanni Queiroz, a Sra. Janete Capiberibe, § 2º do art. 18 do Regimento Interno, deixa a cadeira da Presidência, que é ocupada pelo Sr, Amauri Teixeira, § 2º do art. 18 do Regimento Interno.

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