O ALIMENTO DO NOSSO COTIDIANO

sábado, 22 de setembro de 2012.
Por Rodrigo Bruno de Sousa*

Para todos que tem uma grande responsabilidade em contribuir direta e/ou indiretamente com a educação de pessoas em todas as fases da vida, mais exclusivamente na fase segunda que é à saída do ventre materno, à criança. Já no ventre é um “sugador”. Precisa de uma boa orientação, contribuindo para uma adolescência em diante, sem tanta preocupação neste aspecto. Cultive nos mesmos o cuidar daquilo que nos mantem neste solo e que por este mesmo favorece também a satisfação. Não me refiro somente pela educação formal.
O alimento hoje em dia não é para todos. É pra quem tem o mínimo de recurso e até mesmo esse mínimo escapa muitas vezes, de quem não tem o mínimo de estudo e instrução. E para completar os que têm este recurso mínimo de instrução e de estudo. Olham as pessoas que se encontram vasculhando as latas de lixo em busca de saciar sua fome. Com desprezo, outros com pena, alguns chamam de coitadinho! E chegam em casa comentando de maneira preconceituosa na frente de crianças. E ainda desperdiçando o alimento do nosso cotidiano. Alguns pedem, pedem e pedem e nada consegue e assumem essa condição acima. Outros pedem e nada consegue e acabam mexendo em coisas alheias. Sabendo o que poderá acontecer.
Aos pais/responsáveis ensinem principalmente vossos filhos a comerem de tudo e jamais desperdiçar. Sequer meio biscoito ou qualquer quantidade de alimento que seja. O alimento vem da terra e a terra para quem acredita é sagrada. Pois dela germina, floresce, brota, enfeita, perfuma, diverte-se, e também é para onde vamos se não tivermos esse mínimo de alimento que por muitos é desperdiçado antecipando um rito de passagem por este mundo.
A matéria que assisti no jornal uns dias atrás é sim carregada de sensacionalismo, inegável. Foi uma cena chocante. Ver pela tela, um homem de aproximadamente 30 anos, agachado, próximo a sacos de lixo. Onde o mesmo catava alimentos e o trazia a boca. Saciando sua fome de alimento. E segundo a música do Titãs denominada de Comida[1], nos convida a refletir que “nem só de pão o homem viverá[2]”. O alimento é o mínimo.
Questões inquietantes, como: O alimento é uma necessidade básica? Faz-se muitas ações para combater a fome, (nível mundial e nacional - local) cadê o resultado? Como sopões, entregas de cestas básicas, transferências de renda, outros. Parece que não temos resultado, agindo dessa maneira. São medidas paliativas apenas. Não seria uma ação consistente mapear estas familias ou pessoas que se encontram as ruas e oferecer sua identidade, sua capacidade, sua criatividade, seu mundo de trabalho? Não que as mesmas estejam desprovidas destes atributos. Mais para mim estes atributos nestas condições subumanas estão “suspensos”. Mas parto da idéia de que esta aproximação visa a contribuir para a superação deste grande abismo criado e legitimado pelo sistema capitalista. Essa ação acima citada leva tempo e recursos em porcentagens elevadas o que não se torna interessante olhá-la atentamente pelas autoridades.
Hoje em dia só é considerado (a) cidadão (ã) aquele que consome. Não importa como vão pagar. E quem esta nesta condição acima é um (a) derrotado (a). Não foi capaz de suprir as próprias necessidades. Para alguns chega até não ter perspectivas de sair desta condição. A auto-estima dessas pessoas deve ser trabalhada por profissionais, pois alguns destes chegam a absorver este trecho da música do Gabriel O pensador, que faz uma descrição recheada de detalhes presente na sociedade, mas negada por muitos vejamos este trecho,

Eu me chamo de excluído como alguém me chamou; Mas pode me chamar do que quiser seu dotô; Eu num tenho nome; Eu num tenho identidade; Eu num tenho nem certeza se eu sou gente de verdade; Eu num tenho nada; Eu sou sujo eu sou feio eu sou anti-social; Eu num posso aparecer na foto do cartão postal; Por que pro rico e pro turista eu sou poluição; Sei que sou um brasileiro; Mas eu não sou cidadão; A minha vida é um pesadelo e eu não consigo acordar; E eu não tenho perspectivas de sair do lugar; A minha sina é suportar viver abaixo do chão; E ser um resto solitário esquecido na multidão.  Resto do mundo.

Os alimentos que chegam as nossas casas são fruto do trabalho humano. Para alguns um trabalho desgastante. Portanto é inaceitável permitir desperdícios, qualquer quantia que for. Vamos cuidar melhor das futuras gerações que aqui estão. Levá-las a entender a importância que o alimento do nosso cotidiano é o básico do básico direito do ser humano. E dizer que não deve ser violado. E também falar que “cara alegre é a cara de quem come”. Como nos diz novamente Gabriel O pensador em Cara feia.



[1] Bebida é água! Comida é pasto! Você tem sede de que? Você tem fome de que? – refrão. A gente não quer só comer; A gente quer comer. E quer fazer amor; A gente não quer só comer; A gente quer prazer. Pra aliviar a dor; A gente não quer só comida; A gente quer comida. Diversão e arte; A gente não quer só comida; A gente não quer saída. Para qualquer parte.

[2] Trecho bíblico encontrado nos livros de Mateus 4, 4; Marcos 1, 12-13; Lucas 4, 1-13. 


Sobre o Autor:
Rodrigo Bruno de Sousa*Rodrigo Bruno de Sousa Nasceu em Altamira no Pará em 82, é bacharel em Ciências Sociais e também graduando do curso de Ciências da Religião – UEPA e participa do Grupo de Pesquisa dos Movimentos, Instituições e Cultura Evangélica da Amazônia - MICEA




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