Útil ou inútil: Ser ou não Ser?

quinta-feira, 25 de outubro de 2012.

Por Rodrigo Bruno de Sousa*
          
O sentido usado pelo sistema capitalista reside pura e simplesmente em exercer uma função laboral, ou seja, contribuir com o modo capitalista de ser. Portanto, sendo descartado as faixas etárias que não contribuem ou pelo menos não contribuíam com o sistema.  
 As crianças foram enxergadas como consumidores natos em boa parte da gama de produtos, criado e oferecido maciçamente pela indústria; os idosos que depois de longos anos de contribuição para a sociedade são postos à margem, como peças obsoletas, mas que também o capitalismo em sua maneira de cercear as pessoas, arrebata com argumentos infalíveis resgatando podemos dizer o tempo que passou. E também temos os portadores de necessidades especiais congênitos ou por acidente, sendo construído um discurso de inclusão que não condiz com a amplitude do termo, podendo afirmar que esta é a que mais padece de investimentos em geral. Principalmente em educação (no sentido de como se comportar com esses cidadãos-cidadãs).
O que motivou escrever este foi à insatisfação referente aos adolescente-jovens que desde cedo são incentivados pelos próprios pais a entrar no mercado de trabalho formal, depois de algumas tentativas frustrantes acabam indo para a informalidade, quando não para o mundo da criminalidade. Estes mesmos de morada periférica e que em grande parte deixam a deriva o ensino formal por conta de fatores sociais, econômicos, culturais acredito que religioso também que contribui para o “velório” do cidadão/cidadã de 40 anos em media, que são descartados, invalidados, postos em desuso, inútil para o capital que grosso modo apenas suga “a riqueza das nações” expressão criada por Adam Smith. Outra preocupação é a pratica do sexo precoce que hoje se resume ao ato apenas, ocasionando um alto índice de adolescentes grávidas sem os respectivos companheiros mais uma forma antecipada de mostrar-se que são úteis.
Como ser útil, diante de alternativas que são escassas e complexas? Poderia demonstrar minha utilidade exercendo a “cidadania” em tomadas de decisão na comunidade promovendo “organização” da mesma? Pois, o exercício de cidadania veiculado em massa pelos meios de comunicação de massa resultam apenas na idéia de voto. Dissipando de uma vez o ideal de luta, já fragmentado, classes que destoam contribuindo com as características sociais desta sociedade guiada por relações humanas com interesses “cifrados” declinam as mesmas relações pondo em cheque à tão discutida e ao mesmo tempo abolida “Ética”. O que permeia lamentavelmente as “aproximações” é a busca por prazer monetário que o outro (a) pode me oferecer. Segundo Rubem Alves,
Num mundo utilitário não existe coisa alguma permanente. Tudo se torna descartável. O critério da utilidade retira das coisas e das pessoas todo valor que elas possam ter, em si mesmas, e só leva em consideração se elas podem ser usadas ou não. O que não é útil é abandonado. Perde a natureza sua aura sagrada. A natureza é nada mais uma fonte de matérias-primas, entidade bruta, destituída de valor.

A preocupação neste localiza-se na “antecipação” de etapas socio-naturais que sem duvida não contribui para o bom desenvolvimento do cidadão-cidadã. É importante e necessário o cultivo de atitudes, valores, princípios que deixamos à margem em nome do “progresso” tecnológico grande trunfo do sistema capitalista nos dias de hoje, que da utilidade ou não a pessoa humana que apesar desse acontecimento reluta cotidianamente. 


Sobre o Autor:
Rodrigo Bruno de Sousa*Rodrigo Bruno de Sousa Nasceu em Altamira no Pará em 82, é bacharel em Ciências Sociais e também graduando do curso de Ciências da Religião – UEPA e participa do Grupo de Pesquisa dos Movimentos, Instituições e Cultura Evangélica da Amazônia - MICEA


2 Comentários:

Prof. Adinalzir disse...

Meu caro Tiago Sousa
Infelizmente ainda vivemos na era dos homens primatas e do capitalismo selvagem. E essa música dos Titãs nos ajuda a complementar: http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=vkOvm3_oXyg

Meus parabéns pelo texto!
Abraços, :-)

Tiago Sousa disse...

Perfeito! ♪Homem primata, capitalismo selvagem♫

 
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