A Verdadeira Divida Externa

quinta-feira, 8 de novembro de 2012.

 Por Rodrigo Bruno de Sousa*


Fala do cacique Guaicaipuro Cautémoc numa reunião com chefes de Estado da comunidade Europeia:

“Eu, Guaicaipuro Cautémoc, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, vim aqui encontrar os que nos encontraram há apenas 500 anos.

O irmão advogado europeu me explica que aqui toda divida deve ser paga, ainda que para isso se tenha que vender seres humanos ou países inteiros.

Pois bem! Eu também tenho dividas a cobrar. Consta no arquivo das índias ocidentais que entre os anos de 1503 e 1660, chegaram a Europa 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata vindos de minha terra.

Espoliação?... Seria o mesmo que dizer que o capitalismo deslanchou graças a inundação da Europa pelos metais preciosos arrancados de minha terra!

Vamos considerar que esse ouro e essa prata foram o primeiro de muitos empréstimos amigáveis que fizemos a Europa.

Prefiro crer que nós, índios, fizemos um empréstimo a vocês, europeus.

Ao comemorar o quinto centenário desse empréstimo, nós perguntamos se vocês usaram racional e responsavelmente os fundos que lhe adiantamos.

Lamentamos dizer que não.

Vocês dilapidaram esse dinheiro em armas invencíveis, terceiros reichs e outras formas de extermínio mútuo. E acabaram ocupados pelas tropas da OTAN.

Vocês foram incapazes de acabar com o capital e deixar de depender das matérias primas e da energia barata que arrancam do terceiro mundo.

Por isso, meus senhores da Europa, eu, Guaicaipuro Cautémoc, me sinto obrigado a cobrar o empréstimo que tão generosamente lhes concedemos há 500 anos. e os juros.

Queremos apenas a devolução dos metais preciosos, mas 10 por cento sobre 500 anos. Lamento dizer, mas a divida européia para conosco, índios, pesa mais que o planeta terra!... E vejam que calculamos isso em ouro e prata. Não consideramos o sangue derramado de nossos ancestrais!

Sei que vocês não têm esse dinheiro, por que não souberam gerar riquezas com nosso generoso empréstimo!

Mas há sempre uma saída: entreguem-nos a Europa inteira, como primeira prestação de sua divida histórica!

Disponível em: www.midiaindependente.org/pt/blue/2005/03/311319.shml. Acesso em: 6 dez. 2007.

Sobre o Autor:
Rodrigo Bruno de Sousa*Rodrigo Bruno de Sousa Nasceu em Altamira no Pará em 82, é bacharel em Ciências Sociais e também graduando do curso de Ciências da Religião – UEPA e participa do Grupo de Pesquisa dos Movimentos, Instituições e Cultura Evangélica da Amazônia - MICEA

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