Movimento Nacional dos Catadores de materiais Recicláveis – MNCR

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012.
Por Rodrigo Bruno de Sousa


Esse movimento surgiu na Europa no século XIX, devido o crescente número de desempregados. O MNCR surgiu no ano de 1999, quando da realização do 1º encontro nacional dos catadores de papel. Movimento que não visa lucro e sim sustentabilidade e cooperação incentivada por grupos religiosos ou por ONGS. O MNCR trabalha com dois elementos que parecem opostos: de um lado a cidadania (vida) e o outro o lixo (trabalho). São pessoas que tiram seu sustento, buscam dignidade humana nos restos materiais que outras pessoas dispensam.
O catador de material reciclável, antes denominado catador de lixo, era um personagem desvalorizado na sociedade. A organização dos catadores trabalha com três aspectos da sociedade:
Coloca em evidencia a necessidade de cuidados com material reciclável, de modo que o mesmo possa ser “aproveitado”, portanto, focalizam um desenvolvimento sustentável;
Valoriza a identidade do catador (a) de material reciclável, um trabalhador da sociedade;
Coloca em evidência a luta pela cidadania no espaço urbano; uma cidadania que emerge do trabalho com “lixo”.
É um contraste interessante para ser analisado e ao mesmo tempo para ser pensado como um movimento que gera cultura, no sentido que instiga a reflexão sobre o meio ambiente e sobre a conduta cotidiana das pessoas ao liberar o lixo de suas casas. Fortalece as praticas de coleta seletiva de lixo.
Existe um documentário chamado “ilha das flores” dirigida por Jorge Furtado em 1989, retrata o mundo do consumo e da desigualdade social na sociedade capitalista, em foco no Brasil. Ilustra á vida do sujeito que sem paradeiro, sem morada e sem trabalho vive dos restos coletados no lixo, enquanto os porcos, criados por individuo rico, alimentam-se de restos de tomates, antes sequer dos humanos terem acesso a esse alimento. O que sobra aos humanos é o resto daquilo que os porcos deixaram de comer. O documentário nos faz refletir sobre os dois mundos da vida, extremos que marcam a sociedade brasileira: o mundo dos extremamente ricos e o mundo dos extremamente miseráveis. Do lixo emerge a luta pela cidadania – o direito de viver na cidade.
O exemplo que brota dos catadores de material reciclável, trabalhadores muitas vezes migrantes do campo para as cidades; com pouca escolaridade, com historias de perdas econômicas, sociais, familiares entre outras.

Foi realizada uma investigação em 2004 no município de Curitiba e constatou que:
1 = há maior incidência de pessoas do sexo masculino entre os catadores, embora as mulheres tenham presença marcante, em função da solidariedade ao marido.
2 = a faixa etária varia entre 22 e 67 anos, pessoas egressas de outros tipos de ocupação como exemplo professores, técnicos administrativos, cozinheiros, etc.;
3 = possuem baixo índice de escolaridade, consideram a escola como veiculo de mobilidade social;
4 = querem para os filhos uma situação de vida diferente das suas;
5 = trabalham em media 10 horas por dia;
6 = vêem o trabalho de catador como alternativa á criminalidade e marginalização, embora se sintam discriminados.
7 = sentimento de exclusão e desqualificação.

“O rico produz o lixo e o pobre trabalha nele”. Teórica do Colorado - EUA.

Sobre o Autor:
Rodrigo Bruno de Sousa*Rodrigo Bruno de Sousa Nasceu em Altamira no Pará em 82, é bacharel em Ciências Sociais e também graduando do curso de Ciências da Religião – UEPA e participa do Grupo de Pesquisa dos Movimentos, Instituições e Cultura Evangélica da Amazônia - MICEA

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