CARNAVAL

terça-feira, 29 de janeiro de 2013.
Por Rodrigo Bruno Sousa*


Carnaval e inicio de mês, “combinação perigosa” o que quero dizer que o pagamento dos trabalhadores e trabalhadoras que labutam semanalmente é gasto de maneira impensada, pois o cotidiano é modificado mediante um clamor que os meios de comunicação contribuem oferecendo a uma multidão sedenta de lazer, de diversão.
Parece que não percebemos que essa expressão da cultura humana que é o carnaval envolve de maneira a cair como insetos na teia. Com maestria o “canto da sereia” ecoa aos ouvidos a ponto de endividar-se; embriagarem-se; dormir pelo chão; de uma gravidez indesejada, uma dst (aid´s); um acidente que deus o livre. E aí, vale apena brincar sem essas precauções?
Vem-me outra pergunta, percebe-se que a equipe de transito (municipal, estadual e federal) estão com um efetivo completo, por quê? Seria porque no cotidiano os motoristas possuem “menos vida”. Neste período o fluxo é intenso e temos mais irresponsáveis ao volante. O “Estado” na função de babá dos motoristas para não causarem acidente reforçam, lembrando que os mesmos passaram por todo um ritual de iniciação para se habilitarem e ainda cometem tal irresponsabilidade. A multa não basta à proibição da condução por um tempo talvez.
Dependendo do feriado tem-se a determinada “operação”. Esta é a operação carnaval, que no meu ver acrescenta a estrutura das cidades equipamentos móveis e imóveis que requer investimento em massa. Podendo ser aplicado para outros fins. Não sou contrario a essa manifestação só acho desnecessário todo esse exagero que de maneira irrefletida em nome da “indústria cultural” que comanda como tem que ser conduzida a festa regada a muita bebida e companhia. Os meios de comunicação de massa se desdobram para cobrir ao maximo possível esses eventos grandiosos em nome da tradição relatando que antes acontecia de uma maneira, hoje é dessa maneira visando a segurança dos foliões. Ao que parece que a sociedade banaliza a pratica da violência, do excesso. Isso é notório que a cultura é dinâmica.
Como é um feriado prolongado, colegas de trabalho, da universidade ao se despedirem, dizem: “Bom feriado de carnaval”. Como se todas as pessoas tivessem que fazer parte da massa de folião. Momento de descontração excessiva.  Após esse período, os cristãos católicos na quarta feira de cinzas iniciam a quaresma, quarenta dias que antecede a semana santa (paixão, morte e ressurreição de cristo) período esse que exige dos fieis recolhimento, silêncio, penitência, jejum. Interessante que as religiões favorecem assim como diz Mircea Eliade, “É o tempo sagrado que se distingue do tempo profano”. Recordei também do trecho de um livro que recém li:

As religiões expressam essas duas experiências de tempo. O tempo profano é o que vivemos no dia-a-dia (dias, meses e anos). Já o tempo sagrado é uma espécie de pura continuidade que não se altera, a fonte permanente de onde fluem o sentido e a força das religiões. Os rituais religiosos são o esforço de retorno ao tempo sagrado das origens, dentro do tempo profano e cronológico. (João Décio)

Bem o período carnavalesco deveria ser compreendido como uma atmosfera de significados, de símbolos, de fantasias, de alegria, de brincadeiras e não de exageros como (poluição sonora, ambiental, psicológica, moral, sexual).
Mas, mal encerrou a manifestação e vivemos o “período de contabilidade” em alta que compreende nos comentários de: em quantos blocos cada folião saiu; com quantas meninas fiquei (vice-versa); a quantidade de bebida ingerida; quantas toneladas de lixo jogadas pelas ruas (o frasco de spray de espuma é um absurdo); o lamento também de dinheiro gasto na farra; a mais lamentável do período é o numero elevado de óbitos por acidentes causados por embriagues.
Gostaria de encerrar esse breve texto, constatando que por mais “institucionalizado” que seja o carnaval através de estrutura de arquibancada com banheiros químicos, repasse de verbas para custeio de agremiações e blocos. Essa manifestação, assim como a festa do círio de Nazaré, jamais deixará de existir, pois a mescla de gerações que participam do mesmo se renova a cada ano. Portanto,  a cultura é mais intensa que a institucionalização.

Sobre o Autor:
Rodrigo Bruno de Sousa*Rodrigo Bruno de Sousa Nasceu em Altamira no Pará em 82, é bacharel em Ciências Sociais e também graduando do curso de Ciências da Religião – UEPA e participa do Grupo de Pesquisa dos Movimentos, Instituições e Cultura Evangélica da Amazônia - MICEA

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