Homenagem à padroeira da Amazônia

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013.
Por Rodrigo Bruno de Sousa                                                                                   Escrito em 12/10/2009


Na noite da transladação, dia 10 de outubro, por volta das 17:30h no colégio Gentil Bitencourt (Av. Nazaré), iniciou o percurso em direção á catedral da Sé (cidade velha) e a cada ano impressionado com o clima de muita devoção e consumo. Sempre questiono como podes uns 30 centímetros de porcelana modelada com fisionomia humana arrastar uma multidão de nativos, turistas, outros?
A minha critica é que a devoção esta atrelada ao consumo, assim, como a corda aos promesseiros. A gente vê de tudo, gente fumando, pessoas ingerindo bebida alcoólica, gente falando de novela, conversa sobre o cachorro da vizinha, gente comendo skilhos, comprando artigos religiosos e tantas outras. O círio de Nazaré, não é passeio e sim momento inédito anual, onde penso que devemos reservá-lo ou na transladação ou mesmo no dia da procissão do domingo, renunciar a esses prazeres e desejos supérfluos que desviam da essência da festividade.
Falando em comprar artigos religiosos, será que antes da procissão, não tenho tempo em adquirir estes? Qual a diferença em comprar antes ou durante o Círio? Evento que acontece uma vez ao ano, me parece que o trabalho é uma verdadeira prisão, visto em seu inicio como atividade negativa (castigo) parece que perdura ainda esta sina. Ou sou devoto (a) somente no dia do círio? Que filhos? Em que acredito nas bênçãos de nossa senhora de Nazaré ou na multidão? Se for passeio transforma-se em passarela de desfile. Quando estávamos na reta final do percurso a corda é cortada ou desatrelada, e muitos jovens por ter maior resistência física, se atrelam a mesma, mas o que é um tanto desagradável é a disputa por um pedaço de corda como um “troféu” conquistado doa a quem doer. Pelo que pude perceber houve agressão verbal, empurra-empurra. Por que se age dessa maneira?
Durante o percurso, acontecem inúmeras homenagens musicais; também através de faixas e com fogos que sem dúvida contagiam a multidão. Mas na minha observação o povo é a essência de tudo e a autêntica e singela homenagem à mãe de Jesus. Temos a percepção primaria de observarmos os acontecimentos desagradáveis. Mas o círio não é isto. Círio é a junção de classes sociais, círio é família, círio são encontros e reencontros, círio é oração, círio é um momento adequado para renovar os agradecimentos e pedidos alcançados ou não, tendo esperança que serão realizados. É muito gratificante ver casais de idosos, pessoas com objetos colocados na cabeça, segurando vela, segurando terço, com fotos de parentes e também o círio é um verdadeiro palco de protestos pacíficos ligados às famílias de pessoas que morreram por violência e tantas outras declarações de devoção. Escutei que a imagem carrega em seu colo o mensageiro da paz que quase não percebemos. Mas continuo enfatizando que o círio para muitos é consumo! Ou o contexto o leva a essa transformação.


Sobre o Autor:
Rodrigo Bruno de Sousa*Rodrigo Bruno de Sousa Nasceu em Altamira no Pará em 82, é bacharel em Ciências Sociais e também graduando do curso de Ciências da Religião – UEPA e participa do Grupo de Pesquisa dos Movimentos, Instituições e Cultura Evangélica da Amazônia - MICEA

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