Leitores Outdoor

sábado, 16 de fevereiro de 2013.
Por Rodrigo Bruno de Sousa*


Além da literatura light, assim denominada pelo espanhol Enrique Rojas (psiquiatra) na obra “O Homem Moderno - A luta contra o vazio”. Que aborda em um dos capítulos, uma análise sobre a adoção da prática viciadora de ler apenas revistas de fofocas e/ou livros best-sellers com o intuito de estar atualizado no mundo da moda, novelístico, cinematográfico, etc. Possui uma frase que se desconhece a autoria que exalta a importância do ato de ler, ler não pode ser em nossa vida uma atividade menor. Não é suficiente uma cultura exclusivamente oral. Ler ajuda a evitar a superficialidade que nos deforma e esvazia.
 No cotidiano percebemos que os transeuntes ao saírem pelas ruas, a todo o momento se deparam com anúncios estampados em outdoors, palavra de língua inglesa que nos diz “ao ar livre”. Traduzindo para nosso contexto social capitalista, ou seja, em qualquer lugar e é isso que vemos, está por cima, na lateral de prédios comerciais, na fachada das casas, fixada por estrutura metálica e/ou madeira. Para empresas elas são iluminadas e tem estrutura que seja durável, e as de madeira sem iluminação que são utilizadas também como mecanismo de propagação-divulgação de denuncias, anúncios, informações, avisos de utilidade pública, homenagens, shows, etc.
O que motivou escrever este partiu da grave perda que a sociedade local terá que é o fechamento de uma livraria de classe, ou melhor, que contém livros clássicos que ajudam a todos a sair da mesmice de palavras cotidianas e também do crescente número de revistas de todo “modo” sendo impressa com um fragmentado embasamento teórico enfatizando a praticidade, substituindo obras eternas da literatura nacional/mundial e o que é pior ela é tão divulgada que desvirtua qualquer publicação de cunho intelectual.
Mas o título deste texto foi denominado, pela seguinte observação, já que existe literatura light existe leitor light; e também pessoas light possuem alimentos light e por que não leitores outdoor que poderia ser uma categoria de leitor light, no qual toda vez que se passa ou se vai ao centro comercial preocupam-se apenas em ler todos os outdoors ou pelo menos tentam. Reparto esta sensação de insatisfação e impotência perante esse desastre causado por essa não procura de obras que alimentam nosso pensar. Isto é uma vitória para esse discurso instrumentalizado propagado pelos “meios de comunicação” que favorece a homogeneidade de pensamento.


Sobre o Autor:
Rodrigo Bruno de Sousa*Rodrigo Bruno de Sousa Nasceu em Altamira no Pará em 82, é bacharel em Ciências Sociais e também graduando do curso de Ciências da Religião – UEPA e participa do Grupo de Pesquisa dos Movimentos, Instituições e Cultura Evangélica da Amazônia - MICEA

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