VIOLÊNCIA SEXUAL CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES

domingo, 3 de fevereiro de 2013.

Por Helani Sá

Quem mais comete esse crime?


          Muitas pessoas acreditam que o abusador é uma pessoa estranha, desconhecida e com aparentes distúrbios comportamentais.

     Trabalho no atendimento às vítimas de violência sexual há alguns anos e venho fazer um alerta aos internautas leitores desse blog, o agressor está mais próximo do que se imagina!

 Ao contrário do que se passa no imaginário popular, o agressor, na maioria dos casos, é aquele cara bacana acima de qualquer suspeita. E mais, a maioria deles faz parte da família da vítima ou é “amigo da família”. Pode ser um primo, um tio, um irmão, o avô, o pai, o padrasto, professor, pastor, padre ou um vizinho. O agressor geralmente é do sexo masculino, durante todos esses anos de trabalho em um CREAS, atendi somente um caso em que a agressora era mulher. O agressor é aquele cara “amigão” que o pai e mãe da criança ou adolescente confia. Ele frequenta a casa e tem acesso à rotina da família. A vítima, por sua vez, também confia nele e é facilmente conduzida por esse agressor chegando até mesmo a se apaixonar por ele e defende-lo durante uma audiência.

Dificilmente um desconhecido ataca sua vítima na rua. Ele se utiliza da confiança que a vítima deposita nele. Ele induz a vítima a aceitar o abuso fazendo com que a mesma não reaja, então, dificilmente acontece um ato sexual com utilização de força, é mais comum a utilização de argumentos, por isso a empatia existente entre o agressor e a vítima.

Durante atendimento com as vítimas, percebe-se que a maioria delas tem uma grande admiração pelo agressor, dizem que amam ou que estão apaixonadas pelo seu algoz. Dizem que “foram por que quiseram”.

Vale ressaltar que está previsto no (art.224 do Código Penal) sobre a violência presumida. O que é isso? Presume-se a violência se a vítima não é maior de 14 anos, é alienada ou débil mental, e o agente conhecia esta circunstância, não podendo, por qualquer outra causa, oferecer resistência.” Extraído de: saberjuridico.com.br . Se a vítima for menor de 14 anos é considerado estupro por mais que a vítima diga que manteve relações sexuais com o agressor por que quis.

         Outra coisa que me chama atenção é o número de pais agressores, é bem superior ao número de padrastos! Passa por nossa imaginação que o padrasto é o que mais abusa, o que não é verdade. Em uma comparação entre pais legítimos e padrastos, o pai é o maior agressor. Já cheguei a ouvir até uma parábola de um pai agressor: “O primeiro cacho da uva é do seu dono”, esse pai estuprou todas as suas filhas e foi preso há alguns anos.

   O agressor acredita piamente que não está violentando suas vítimas, pois para ele, está apenas satisfazendo seus desejos sexuais e como ele entra no universo infantil de suas vítimas, ele também se sente uma criança. Por isso defendo a ideia de que além de serem presos, os pedófilos também deveriam receber acompanhamento psiquiátrico e psicológico de maneira intensa. Nada adianta prender o pedófilo e soltá-lo anos depois sem qualquer terapia que novamente ele irá repetir seus atos contra as crianças e os adolescentes.

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