Ética no cotidiano

sexta-feira, 19 de julho de 2013.
Por Rodrigo Bruno de Sousa

O texto inicia com a seguinte afirmação, ”Nenhuma sociedade no passado ou no presente vive sem uma ética”. O que seria uma sociedade sem regras? Se com toda essa estrutura que regulamenta vive-se a banalização da violência e tantas características que desconsidera o homem. Faço inquirições a respeito de várias situações que direta e indiretamente nos rodeiam. Esses princípios deveriam ser ensinados primeiramente dentro dos lares. O distanciamento das pessoas e famílias das “igrejas”, “cultos” esvaziou a sociedade de ética?
É absurdo quando vemos ou ouve-se que um grupo de pessoas linchou determinada pessoa; é lastimável uma pessoa estudar determinado período e apresentar um programa jornalístico sensacionalista de conteúdo baixo e incitar a prática da resolução do conflito com mais violência; assim, como várias outras profissões/funções que desviam sua função onde deveria desenvolver para a coletividade e beneficiam os próprios anseios, no caso os políticos; vivemos num contexto em que o fenômeno religioso é intenso com sua presença, algumas empurradas para as áreas periféricas, enquanto o cristianismo fragmenta-se ocupando boa parte destas áreas e localizando-se também nos centros urbanos. Sustentando possuir conteúdo legitimo discursando a irrelevância das outras. Não querendo compreender que estamos em uma sociedade multietnica. Mesmo assim as religiões contribuíram em grande parte para o estabelecimento da ética. Vivemos tempos em que termos como secularização, laicidade, desencantamento. Associa-se somente a pessoas que tem acesso direto a estes assuntos sabendo da utilização. As que não têm falam dos acontecimentos do dia-a-dia provocados pela estrutura histórico-socio-economica, são coisas do “outro”.
O cotidiano da fila de banco, onde pessoas simplesmente por conhecer fulano que esta na frente, entrega seus afazeres; estacionar em vaga reservada a pessoas com deficiência; o espaço com assentos reservados a prioridades nos transportes coletivos são desrespeitados; depois de um dia de trabalho e estudo você pega um ônibus superlotado, onde um dos passageiros está escutando seu gosto musical, por favor! Diariamente presenciamos muitas pessoas jogarem lixo pelas vias publica ou privada? Subornar pessoas para favorecimento; passar em velocidade, embriagado no sinal. E tantas outras situações que fogem a nossa vista. Ética é? Um acessório descartável? Aplica-se aos amigos e mostra-se a lei aos inimigos.
Apesar da ética do cotidiano estabelecida, temos características produzidas pelo produtor de cultura vivendo num sistema capitalista onde os proprietários dos meios de produção conduzem “maestralmente” o exército de aliados pela “necessidade” de viver e sobreviver através do trabalho, onde sustenta que “dignifica o homem”. O submetendo e manipulando, deixando de ser homo-sapiens transformando-os em homo-faber, lembrando à cena inicial do filme de Chaplin, que faz menção a linha de produção de uma fábrica, onde o sujeito-sapiens executa determinada tarefa otimizando o máximo tempo dedicado a mesma.
Existe propagação da ética nos meios de comunicação? Existe uma ética especifica aos meios de comunicação? A mídia sustentada pela ética comercial ou vice-versa criou argumentos irrefutáveis, liderado pela liberdade de imprensa, vivemos numa sociedade democrática, no caso do Brasil. Tem-se a liberdade de veicular o que bem quer. Onde somos “telespectadores” reais temos poder de decisão de ser televisionado ou não. Mais a estrutura (marketing, propaganda, publicidade) além de uma equipe multiprofissional. Exibe com destreza e aguça uma predisposição que todo ser humano tem armazenado. A sacada não é bem o que transmitem, mas como transmitem.
Vivemos numa sociedade utilitária, serve aquele que produz. Podemos imaginar que pessoas estão no depósito como peças e aparelhos obsoletos, as crianças e adolescentes em situação de rua, devem ser retiradas do convívio; os idosos, já não podem nada produzir a não ser consumir o mercado direcionado. Mesmo assim, são deixados a margem e os deficientes físicos, que para as instituições investir, se torna um gasto desnecessário. Perdemos a capacidade do cuidado? O que nos fez perder essa capacidade? Falta de ética? Vivemos numa sociedade pós-moderna? Em que sentido? É preciso estatuto, leis, regulamentos, para cuidarmos do outro? Lembro o trecho da música da banda Legião Urbana que diz “É preciso amar as pessoas como se não houvesse o amanhã”.

Não importa que ambiente esteja deve-se ter em mente a ideia e a prática a respeito da ética. Não por livre escolha tornar o que já é público em privado. Lembro do personagem da grande família “O Lineu” é funcionário público, leva a sério sua profissão, mas é tachado de fiscal rigoroso. Chato. Careta. A ética é principio fundante das relações humanas ou, pelo menos deveria ser. Desde os primeiros pensadores denominados sofistas no século V a.C. construirão a compreensão por enquanto no campo da política e jurídico para a aplicação da mesma. A partir da leitura e compreensão temos a clareza que em cada época e sociedade a ética passa por modificações/transformações.

Sobre o Autor:
Rodrigo Bruno de Sousa*Rodrigo Bruno de Sousa Nasceu em Altamira no Pará em 82, é bacharel em Ciências Sociais e também graduando do curso de Ciências da Religião – UEPA e participa do Grupo de Pesquisa dos Movimentos, Instituições e Cultura Evangélica da Amazônia - MICEA

1 Comentário:

Matematica Jb disse...

NOVO OLHAR SOBRE A MATEMÁTICA, Jornal Beira do Rio, UFPA, Abril 2011,
www.jornalbeiradorio.ufpa.br/novo/index.php/2011/124-edicao-93--abril/1189-novo-olhar-sobre-a-matematica

MÁRIO SERRA - ENGENHEIRO, MATEMÁTICO E AMAZÔNIDA, Jornal Beira do Rio, UFPA, Ano XXVIII Nº 120. Agosto e Setembro de 2014,
http://www.jornalbeiradorio.ufpa.br/novo/index.php/2014/152-2014-08-01-17-25-17/1618-2014-08-04-14-34-28

ALGUMAS MULHERES DA HISTÓRIA DA MATEMÁTICA E QUESTÃO DE GÊNERO EM C & T.
http://sitiodascorujas.blogspot.com.br/2013/06/mulheres-na-matematica.html

CONSTANTINO MENEZES DE BARROS I - MATEMÁTICO QUE LIGA O PARÁ/BR AOS MAIORES CENTROS DO MUNDO E COMPARÁVEL AOS GRANDES ÍCONES DA HISTÓRIA DA MATEMÁTICA (II a V não publicados, disponível por e-mail), (Óbidos-Pa, 19/08/1931, Rio de Janeiro-RJ, 06/03/1983), Ex-Docente UFF e UFRJ,
www.chupaosso.com.br/index.php/obidos/educacao/2149-vida-e-obra-de-constantino-menezes-de-barros

PROFESSORA SANTANA: Candidata a Melhor Docente do Ensino Básico Paraense, Blog Chupa Osso, 23 Junho 2013, www.chupaosso.com.br/index.php/obidos/educacao/2453-proessora-santana-candidata-a-melhor-docente-do-ensino-basico-paraense

SABER MATEMÁTICO E CULTURA INDÍGENA, blogue da AICL, 20 de Setembro de 2011,
http://coloquioslusofonia.blogspot.com.br/2011/09/saber-matematico-e-cultura-indigena.html

 
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