Em Construção ou Porquê a Lealdade é o Principal

terça-feira, 9 de agosto de 2016.


É uma tarefa insalubre tentar conversar com alguém sobre os valores pessoais, principalmente porque os levo tanto a sério e a risca que considero descartável tudo o que transgrida isso. Explicando melhor.... tenho em mim os ensinamentos de cristo e de Siddarta Gautama em tamanha conta que tento fazer deles minha própria “religião pessoal”, quem está por aqui a primeira vez (no blog) pode estar se perguntando agora: “mas, afinal de contas qual a sua ‘igreja’?” Posso lhe responder sem titubear que não possuo nenhuma religião institucional. Mas criei para mim mesmo um forte “código de honra” em que os ensinamentos das duas figuras já citadas fazem parte significativamente deste processo.
Voltando a questão chave aqui... Por que, então, considero a lealdade o pilar de tudo? Pra mim é muito simples, sem lealdade nada se sustenta, nada se mantém e principalmente não há segurança ou confiança sem lealdade, primeiro porque a base dos relacionamentos é esta. Ainda que algum dia você fracasse em alguma coisa a cumplicidade te traz de volta e ela só se constrói sobre a lealdade, em outras palavras o ser humano aí do seu lado agora só irá realmente ser o que é sobre o pretexto de você revelar-se como tal.
 O problema disso tudo é que apesar de não querer que ninguém “creia” ou siga as coisas das quais eu sou devotado ainda me frustra quando encontro não poucas vezes com gente que acha a lealdade valor completamente descartável, posso até viajar um pouco para aferir que isso se deve a valores sublevados pela própria relação do ser humano com o capital, nossa sociedade capitalista tende a tornar as pessoas em pessoas do momento e a favor da vitória a qualquer custa, ainda que para isso se tenha que “tirar coisas do caminho”. O problema todo é que esse sistema leva o ser a levar em consideração mais o valor das coisas possuíveis do que o seu semelhante. Essa relação de valor sobre-humano atribuídos a coisas nosso coleguinha Karl Marx chamou de fetichismo de mercado, mas não vamos entrar nesse nicho de discussão. Apenas me deu vontade de escrever como eu me sinto quando vejo o que as pessoas são capazes de fazer quando estão de cara com a possibilidade de exaltar o próprio ego, deixando tudo o quanto em segundo plano. E para finalizar... a senhora minha avó sempre dizia sabiamente para não testar os limites de gente desprovida de honra porque essas pessoas não tem limite, mas eu sempre teimo em confiar mais nas pessoas do que na razão e o final disso é a frustração. Como tem gente filho da puta no mundo!
Talvez algo parecido acontecia com Augusto dos Anjos quando ele escreveu o poema Versos Íntimos:


Versos Íntimos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera – 
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!  

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