O Último Abraço e Porque Ele é Meu Único e Verdadeiro Amigo

domingo, 14 de agosto de 2016.
Sempre achei que nós demoramos muito para conseguir dizer a alguém o que realmente sentimos e embora eu tenha tentado fazer isso sempre, por vezes, eu tenho fracassado. Tudo começou quando a 18 anos atrás meu melhor amigo e pai faleceu. É engraçado como a gente só consegue refletir sobre algo quando já se passaram anos, com o meu pai foi assim.
Tudo o que somos hoje, eu e meus irmãos, só o são graças ao exemplo que ele nos deu em casa. Amando a família sem medo e nem pensar outra forma senão demostrar para todos que era assim e tudo estava certo e perfeito. Eu sei que a grande maioria das pessoas se quer conseguiram ver um casal que se ame de verdade, imagina ter alguém que demostrava isso por toda a família, acredito que isso serviu intuitivamente de molde para todos os seus filhos e acredito que mesmo sem pensar sobre isso o que nós procurávamos era reproduzir o molde de amor e fraternidade que sempre tivemos bem perto de nós.
A gente nunca conta os dias esperando que as pessoas que amamos se vão e ainda que enfrentemos doenças e acidentes graves sempre temos a esperança de que tudo vai ficar bem, quando estamos envolto em amor fraterno não tem a possibilidade de admitir que nós meros mortais somos feitos para acabar, e aí que reside o problema sempre fica para trás um; eu te amo, você é tudo para mim, o abraço final, o beijo final e tudo o que poderíamos fazer para demostrar vai passando e vemos nossos amados partirem sem conseguir dar este “último alguma coisa” esse sentimento de ter deixado passar algo pode realmente te deixar na lona. Quando Antônio (meu pai) se foi não tive a oportunidade de dar um abraço forte e dizer quanto o amava e era agradecido a Deus por isso tudo. Talvez por isso tenha ido três semanas seguidas e ficado parado em frente de sua lapide, tinha 09 anos e para quem tinha a figura paterna como tínhamos foi um peso muito duro de segurar.
Hoje, se tenho força para vencer quando tudo parece ir contra, se acredito institivamente na possibilidade do amor conjugado em seus vários prismas e se acredito nos valores cristãos, mesmo que as vezes me desvie de conversar sobre eles, é porque tive mesmo que por pouco tempo em minha vida alguém que se mostrou tão forte e altivo justamente nisso tudo. Reconheço o valor de ajudar o próximo, de amar as pessoas sem esperar nada em troca e de receber apenas o que me é de direito adquirido com meu esforço e dedicação, tudo isso devo ao Antônio, meu mestre, mentor, meu melhor amigo, meu espelho e por graça divina meu pai.
Sabe o que eu fazia nas manhãs que passava parado em frente de sua lapide? Agradecia a Deus por tudo o que foi nos dado e mesmo que sem poder fechá-lo nos meus braços estava ali abraçando-o e dizendo a ele o quanto o amava. Espero o dia que poderei agradecer pessoalmente ao criador tamanha gentileza.

A Antônio Alves de Sousa Filho minha eterna memória de amor fraterno e sincero. Sempre te amarei. 

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