Projeto de Pessoa ou Porquê me tornei vegetariano

domingo, 7 de agosto de 2016.
É engraçado imaginar que quando somos crianças, no geral, já ouvimos essa expressão simplesmente por em algum momento “ter agido como adulto” (eu tento agir até hoje), mas se pararmos para pensar nunca deixamos de ser isso mesmo “um projeto”. Vivermos a colocar em linhas o que desejamos “ser” e o que queremos “conseguir”. Tentando não me desviar do assunto aqui, pois quando entramos nesses eixos do ser e do possuir o negócio dá uma prosa e tanto, mas o que pretendo é refletir sobre as mudanças que ocorreram ao longo desses três anos e um tanto que deixamos de alimentar a página.
Para início de conversa o relato é parte integrante do eu, portanto, pode e deve ser levado em conta que apenas estarei mostrando como eu enxergo o mundo e, portanto, não há de minha parte nenhuma vontade de fazer disso um exemplo ou querer que outros sigam, a ideia de colonizar o outro me incomoda bastante. Dito isso, vamos ao que interessa...
Quando estava na universidade lá pelos idos de 2012 já tinha criado uma relação muito próxima à obra cristã de Leon Tolstói, particularmente uma obra sua chamada Minha Religião na qual o paradoxo entre a defesa a vida e o ensinamento de Jesus é colocada em questão. Para mim isso ficou ainda mais claro quando li Jacques Ellul, também teólogo cristão, na obra Anarquia e Cristianismo descreve como é impossível ser cristão e não estar do outro lado daqueles que propõe a aniquilação da vida. Já havia me convencido de que sobre o ponto de vista cristão é inconcebível qualquer prática que tenha em seu eixo principal os maus-tratos, abusos ou mesmo a morte de qualquer forma de vida quando entrou para reforçar em minha vida Carol Adams com o seu política sexual da carne em que a autora nos mostra como a prática de ingestão da carne, mais especificamente, da carne vermelha desde tempos imemoriais tem dado alicerce para a subjugação e consequente inferiorização da mulher e tem dado suporte ao machismo. Como já havia sobre o aspecto religioso, agora sob o aspecto social estava convencido de que a prática da ingestão da carne era um mal a ser abolido da sociedade, mas claro que isso é um enorme processo e que vai ainda durar uma dezena de anos para que boa parte da sociedade se convença disso.
Outra questão que considero ainda mais grave veio se somar a isso tudo. Eu, cidadão amazônida, radicado em uma região “periférica” do Brasil não posso continuar contribuindo para a constante deteriorização de meu próprio habitat. Explicando melhor. Hoje a pecuária é a principal responsável pelo desmatamento da Amazônia, digo isto, pois inclui nesse processo de cria de pasto + plantação de gênero primário (soja e dendê, principalmente). Quando se diz a alguém que a pecuária é um grande mal para a Amazônia é necessário que se exemplifique, por exemplo; nos idos dos anos 80 para quem saia rumo ao nordeste Brasileiro dos dois lados da BR o que via era aquele mundão de área verde, no entanto, hoje onde tudo o que se encontrava era verde é apenas uma imensidão de vazio criado pelo pasto que agora ocupa o lugar. Se você é como eu, um amazônida, sugiro que você reflita no seguinte amigo.... Os estados do sul e sudeste brasileiro estão passando por vários problemas sérios com a água (vide SãoPaulo) e para se produzir carnes em larga escala para consumo em larga escala se gasta uma quantidade absurda de água (vide Tabela) e o pior é que esses estados são os que mais consomem carne do país, para se ter ideia o estado de São Paulo figura na lista como segundo maior consumidor de carne bovina e a maioria dessa carne é importada de estados que hoje massificam a produção para dar conta desse nicho (vide em Portal) agora imagine você para onde iriam parar com essa produção já que eles não tem água para isso? Exatamente! A mata Atlântica que já havia sido vitimada com essa produção predatória passou o bastão e a bola da vez é a Amazônia. Fica difícil para alguém que não vive acompanhar o que está acontecendo por aqui a décadas, mas quem é daqui pode perceber, por exemplo, ao decorrer da BR 316 a caminho do nordeste brasileiro quem anda por ali a muito tempo pode ver que a uns 20 anos atrás você via um mundão de verde, era mata para tudo quanto é lado, no decorrer dos 90 esse mato todo deu lugar a uma vastidão incrível de pasto. Tudo campo aberto para criar animais. E mais ainda, a virada para o ano 2000 viu a chegada do plantio de soja, junto com o dendê e outros que são hoje os maiores responsáveis pelo desmatamento da floresta.
Bom, então temos três aspectos muito importantes reunidos como fatores que necessariamente contribuíam para fazer de mim um vegetariano em potencial. Mas, para finalizar a isso tudo juntou-se o fator saúde. Passei os últimos anos lutando contra uma gastrite que não tinha cura, vivia com dores no estômago e quando parava de tomar os remédios me dava crises de dor horríveis. Vinha a algum tempo com um problema de peso (imagina que quando criança os médicos disseram que eu não iria engordar) que me deixou meses sem conseguir dormir mais do que 3 horas por noite, sentia insônia e dificuldade de caminhar. Até mesmo a prática de jejum que era um costume prazeroso pra mim estava passando a ser uma tortura. Cheguei a uma conclusão obvia ou eu me dedicava a mudar a minha vida ou essa forma de viver ia acabar me levando para um lugar de onde não sairiam bons frutos.         

Essa postagem é só o início da “contação” dessa história. Abaixo vou deixar os links de alguns documentários e os livros em pdf que consultei e que acredito sejam importantes:

Livros: 




Documentários:

 A Carne é Fraca
cowspiracy dublado
101 Razões para virar Vegano 


  Uma Verdade Inconveniente 

A melhor palestra que você irá ouvir na sua vida


A Carne deve ser eliminada da alimentação ... JÁ.

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